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Entrevistas

Victor Nascimento, diretor do curta vencedor Zebra: A coragem de falar sobre assédio entre homens a partir do futebol


Filme foi o escolhido pelo júri oficial na Mostra Curtas do FAM 30 anos

   Uma das mostras mais concorridas e plurais do Festival, a Mostra Curtas do FAM 30 Anos teve como vencedor Zebra de Victor Nascimento, em que um jovem da periferia é assediado por seu treinador de futebol. Em meio à culpa e ao silêncio, ele tenta se abrir com o pai. A Mostra exibiu 10 filmes, de seis países, selecionados entre centenas de inscritos. Este é o primeiro prêmio recebido pelo filme, de uma produção de São Paulo.

   O Júri Oficial, formado por Rastricinha Dorneles, Solange Adão e Tatiana Carvalho, destacou “a direção segura, com um elenco coeso em uma abordagem sensível às masculinidades". Por suas escolhas estéticas precisas, o filme nos ajuda a atravessar a violência, sem abrir mão da urgência do debate”.

FAM - Como você se sente com a premiação em uma das mostras mais tradicionais e competitivas do festival?
Victor Nascimento - Ser selecionado para o festival já me deixou muito alegre, um festival consolidado no Brasil que abre portas, isso tem um peso muito grande. Foi incrível e uma surpresa maravilhosa ter ganhado, é o primeiro prêmio conseguido pelo filme. Como realizador a gente fica muito inseguro sobre como o filme vai ser visto, receber um prêmio desses é muito legal para reafirmar e dar energia para continuar abordando esses assuntos, e quem sabe desenvolver uma história mais longa nos próximos anos. 

Mostra o quanto o tema do filme é importante, toda a equipe teve muita delicadeza e cuidado para desenvolver uma história que comunicasse o machismo que impede os homens de falar desses assuntos. De fato conseguimos fazer um trabalho que alcançasse as pessoas, a premiação é um reconhecimento disso, toda a equipe está muito orgulhosa.

FAM - Que aspectos destaca durante a produção do filme?
Victor Nascimento - Este é um tema delicado, mas uma realidade muito presente no Brasil, boa parte dos atletas já sofreu assédio, e quem sofre só vai contar 20 anos depois. No meio do futebol, o assédio é mais delicado ainda. Isso trouxe complexidade para conseguir gravar o filme, muitos por não quererem se associar ao tema, e tivemos que abrir portas até conseguir conversar com pessoas que entendiam a importância disso. Zebra vem de um termo machista do futebol, que é quando o menos favorito acaba ganhando, parece que é quase inconcebível que o homem possa sofrer assédio. É interessante ver a percepção mais chocante do público no início do filme e depois o entendimento sobre a importância de mostrar os sentimentos e dialogar.

Durante o processo de buscar apoio ao filme, muitos homens contaram que passaram por essas situações, é um tema silenciado na sociedade, abordar essa temática gera discussões e faz com que as pessoas se sintam mais confortáveis para falar sobre isso.

FAM - Como tem sido a distribuição e a carreira do filme?
Victor Nascimento - Fomos selecionados para festivais de Portugal, de cinema negro e em janelas alternativas, é importante conseguir fazer essa discussão através dos festivais, mas também por meio de organizações, estamos conversando com clubes de futebol e instituições especializadas em oferecer apoio a homens que passaram por isso. Vamos continuar levando a lugares em que jovens tenham ciência, tenham mais cuidado e dialoguem sobre isso, espero no futuro conseguir desenvolver uma história ainda mais aprofundada.

Melhor Filme - Mostra Curtas

Júri Oficial: Zebra, de Victor Nascimento | Brasil, São Paulo/SP | 15 min | 2026 | Ficção

Troféu Panvision + Prêmio Apoiador

Justificativa: Direção segura com um elenco coeso em uma abordagem sensível às masculinidades. Por suas escolhas estéticas precisas, o filme nos ajuda a atravessar a violência, sem abrir mão da urgência do debate.

Prêmio Apoiador: JLS (locação de estúdio de mixagem) · MISTIKA (pós-produção de imagem) · Naymovie – Prêmio Edina Fujii – CiaRio (locação de iluminação, acessórios e maquinária)

Júri: Rastricinha Dorneles · Solange Adão · Tatiana Carvalho (Júri Oficial)

O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos é um projeto cultural viabilizado através da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012. Apoio Programa Ibermedia e Projeto Paradiso. Patrocínio Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis, Sebrae e Itaú Unibanco. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura.

 



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