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Entrevista: Ana Cristina Benítez, diretora do longa Mama, fala sobre vulnerabilidade e cuidado


Documentário equatoriano aborda o câncer de mama para além da doença e convida o público a refletir sobre como acompanhamos uns aos outros

   Aos 36 anos, a cineasta equatoriana Ana Cristina Benítez recebeu o diagnóstico de um câncer de mama em estágio avançado. Diante da doença, encontrou na câmera uma forma de registrar e compreender as transformações provocadas pelo processo. Esse refúgio deu origem a Mama, seu primeiro longa-metragem documental, exibido no Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 30 anos.

FAM – Ana, hoje você está aqui com o longa Mama, que aborda uma temática muito importante e é feito para todos os públicos. Como diretora, o que você pretende passar ao público no seu primeiro longa-metragem documental?

Ana Cristina Benítez – A ideia é que esse documentário não trate somente do câncer em si, como uma questão médica, mas que, por meio de Mama, possamos enxergar tudo o que significa atravessar um processo tão vulnerável como um câncer. Sobretudo, partindo de uma premissa e de uma pergunta muito importante: como você me acompanha durante esse câncer?

Este documentário é mais direcionado às pessoas que acompanham do que às próprias mulheres que estão atravessando esse processo. O que pretendo é, a partir do meu corpo, mostrar tudo o que se vivencia em um processo assim e, de certa maneira, fazer com que as pessoas que assistem e aquelas que acompanham, tenham um pouco mais de ferramentas para que, no futuro, ou caso estejam passando por um processo tão vulnerável em suas famílias, tenham ferramentas mais efetivas para saber realmente como nos acompanhar.

É um filme que convida à reflexão, um filme que não tem respostas definidas, mas que abre conversas difíceis. E acredito que isso seja mais importante, porque precisamos pensar e repensar, reformular de que maneira acompanhamos uns aos outros.

FAM – Qual a expectativa para esse encontro no teatro, aqui no Brasil? Como é a experiência de assistir a sua obra junto do público?

Ana Cristina Benítez – Estou muito feliz de vir ao Brasil porque sinto que o intercâmbio entre os países que falam espanhol e o país que fala português, na América Latina, não acontecia muito antes. Agora estamos, de certa maneira, nos aproximando e trocando experiências. Porque somos América Latina! Somos países irmãos. E acredito que isso seja muito importante: poder nos ouvir em diferentes idiomas, mas, ao mesmo tempo, saber que somos latino-americanos e que podemos estender a mão uns aos outros e nos acompanhar.

Quanto à sessão, estou cheia de expectativas. Embora seja uma história real, acredito que, ao final do filme, a história mais importante é o que acontece depois que a obra termina. O que cada um, cada uma, faz com essa história e leva dentro do coração para suas casas, para seus familiares, seus amigos, seus colegas. E, de certa maneira, saber que algo desse processo tão complexo que aconteceu comigo pode servir para outra pessoa.

FAM – O FAM está completando 30 anos em Florianópolis, com uma programação gratuita e diversa ao público. Para você, qual a importância que eventos como esse têm, tanto no setor audiovisual quanto na sociedade?

Ana Cristina Benítez – Arte é transformação. Acredito que o ser humano precisa da arte para viver. Acredito que a arte é vida, é sustento. Da mesma maneira que, para mim, foi importante segurar a câmera durante um processo tão complexo, sinto que, para o mundo em si, é importante que a arte exista para não desfalecermos, para sermos pessoas melhores, para nos unirmos com nosso coração, com nossos batimentos, com aquilo que nos faz vibrar, com aquilo que nos faz sentir.

Eu fico muito feliz quando existem possibilidades de apoiar esse tipo de evento e quando eles são gratuitos, para que as pessoas, de maneira geral, possam ter acesso a filmes e documentários que, de certa maneira, podem contribuir para a forma como começamos a pensar o mundo.

O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos é um projeto cultural viabilizado através da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012. Apoio Programa Ibermedia e Projeto Paradiso. Patrocínio Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis, Sebrae e Itaú Unibanco. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura.

 



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