Maria Emília de Azevedo, homenageada do FAM 30 anos: O sonho coletivo do cinema catarinense
09 Setembro 2026

Homenagem será na noite de encerramento do FAM 2026, dia 9 de setembro
A cineasta, roteirista e produtora executiva Maria Emília de Azevedo é a grande homenageada do 30º Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 2026. Diretora de Alva Paixão, Roda dos Expostos, Um Tiro na Asa e Mulher Azul e do longa-metragem Porto Príncipe, produtora executiva de inúmeros filmes e com atuação em instituições como a Cinemateca Catarinense, tem seu nome inscrito em múltiplas frentes no audiovisual catarinense, assim como no FAM. Esteve na organização do Festival e ajudou a tornar possível esse sonho coletivo. A homenagem, na noite de Premiação desta edição, dia 9, às 19h, celebra também sua contribuição ao cinema de Santa Catarina e à construção do audiovisual catarinense.
FAM - O que representa essa homenagem por toda sua trajetória?
Maria Emília de Azevedo - Não sei definir o que eu estou sentindo desde que soube que seria homenageada no FAM. Para mim é monumental e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade, porque não sei se fiz tudo o que eu devia fazer. Sei de parceiros, companheiros, que fizeram muito mais do que eu, que lutaram mais pelo cinema, pela possibilidade de novas gerações realizarem cinema. Ao mesmo tempo é uma honra, um aconchego, é algo muito gostoso. É como se eu estivesse sendo abraçada pelo Celso.
FAM - Como foi a tua história e os momentos memoráveis com o festival?
Maria Emília - Quando o Celso dos Santos falava em realizar um festival dentro do Mercosul, questionávamos por que falar em audiovisual e não cinema. Ele era um visionário, já tinha essa ideia de ampliação do cinema, de tecnologias diferenciadas. O FAM começou muito ferozmente no sentido do ânimo, de empreender e de fato, conseguiu convencer os pares, a sociedade, patrocinadores, instituições, da importância de realizar um festival que unisse essa cinematografia da América Latina. A primeira edição foi modesta, foi conquistando a sociedade, os cineastas brasileiros, depois internacionais, e hoje é essa potência. Passa a ser referência, não só de exibição de filmes, mas sobretudo de proporcionar o encontro de pessoas para que consigam aliar os seus desejos de materializar filmes e festivais.
Trabalhei em algumas edições do FAM, em vários setores, fiz algumas participações. Sempre me emociona lembrar de quando o FAM sai do centro de Florianópolis, do Cecomtur, e passa ao Centro Integrado de Cultura, e o Celso traz o Zé Luiz para fazer a projeção. Lembro daquela tela sendo montada no grande espaço do Teatro Ademir Rosa, aquilo foi um marco de potência do FAM, instalar num teatro de referência de Florianópolis uma tela de cinema.
Eu estava junto com o Celso, o Mário Parente, a Denise Naccari, a Patica (Patrícia Correa) , e ver essa tela sendo instalada foi algo monumental, não consigo esquecer daquele momento e da sensação única de realização. Depois, foi para o centro de convivência da UFSC, sempre com muita participação popular, ao cinema do shopping. Este ano retorna trazendo o público para o centro da cidade, ao Teatro Álvaro de Carvalho, e lá novamente ele finca, como se fosse uma bandeira, uma tela de cinema. O FAM é grandioso, nos traz uma esperança de que nós podemos sobreviver a tudo que nos acontece nesse país de uma maneira muito digna, porque nós temos uma tela de cinema como se fosse uma bandeira da resistência.
FAM - Como você vê as transformações do festival e do cinema catarinense ao longo desse tempo?
Maria Emília - O FAM continua até hoje com essa mesma coragem. A cada ano tem algo novo. Não é somente um festival de cinema que contém um fórum, o mercado, é esse encontro de pessoas que têm no FAM a possibilidade real de realização futura de seus projetos.
Passa a ser pioneiro na formação de público, colocando crianças, adolescentes, comunidades dentro de uma sala de cinema muitas vezes pela primeira vez. Significa entrelaçar o realizador com o player, o patrocinador e a instituição governamental. Significa proporcionar ao grande público, gratuitamente, a oportunidade de assistir filmes que jamais conseguiriam assistir, principalmente na época que começou, porque não tinha ainda as plataformas de streaming.
Quanto à nossa produção, o que antes era apenas uma utopia, já é uma realidade concreta. E com muita qualidade, talento e competitividade. Já é uma referência no país, temos filmes que vão para as telas nacionais, é um processo de explosão. A luta, que talvez sempre exista, de conseguir cada vez mais apoio, mais respeito e compreensão da parte governamental, dos empresários, da importância de se ter o cinema catarinense nas telas, nas escolas, nas casas, nos streamings. Mas, sem dúvida, nós podemos comemorar, temos um cinema catarinense de qualidade.
Consulte a classificação indicativa, os recursos de acessibilidade de cada sessão do FAM 30 anos e confira a programação completa no site www.famdetodos.com.br.
O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos é um projeto cultural viabilizado através da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012. Apoio Programa Ibermedia e Projeto Paradiso. Patrocínio Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis, Sebrae e Itaú Unibanco. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura.







































