Leandro Firmino: o brasileiro quer se ver
06 Setembro 2025

Com mais de 25 anos de carreira, o ator Leandro Firmino, que acumula trabalhos marcantes no cinema e televisão, participou do Papo FAM no 29º Festival Audiovisual Mercosul, em Florianópolis, e conversou sobre projetos, trajetória e rumos do cinema brasileiro, no sábado (6).
FAM - Você fez o teste para Cidade de Deus por insistência de um amigo seu, não é?
Leandro Firmino - Exatamente. Um amigo meu, que é mais do que um amigo, é um irmão, né, crescemos juntos na comunidade da Cidade de Deus, e ele me convenceu sair de casa para fazer o teste junto com ele. Mas na época ele era muito mais jovem do que eu. Então acabou que ele não conseguiu passar pelos processos das oficinas, porque não tinha ninguém para poder levá-lo, ele era menor de idade… E acabou que ele foi a pessoa que me despertou, que me encaminhou para esse lado.
FAM - Você já começou a sua carreira fazendo um filme que marcou o cinema nacional e ganhou prêmios. Como foi para você interpretar o papel do Zé Pequeno e de que forma isso mudou a sua vida?
Leandro Firmino - Assim, já tem vinte e cinco anos, não é? Mas não foi fácil. Eu sempre comento, falo para as pessoas que fazer o Zé Pequeno não foi fácil, mas eu acho que foi no momento certo da minha vida, porque eu era mais jovem, eu tinha muito mais energia, entendeu? Lógico, quando você tem vinte e dois anos, vinte e três anos, você está em um grau, no auge da sua energia. A idade vai passando e você vai… E o Cidade de Deus foi um projeto que transformou a minha vida. Porque até então eu nunca tinha imaginado, pensado em iniciar uma carreira de ator.
FAM - As pessoas te viram no cinema, nas telas da televisão, e agora têm a chance de ouvir diretamente de você. Qual é a importância de estar aqui para fazer este bate-papo com o público?
Leandro Firmino - É muito importante, porque as pessoas… imagina, você faz televisão, você faz cinema, você faz streamings, e as pessoas estão sempre te vendo, mas às vezes as pessoas não têm a oportunidade de estar ali ao seu lado, pelo menos seja por uma hora ou alguns minutos. E também tem as curiosidades. As pessoas às vezes têm curiosidade, elas querem saber um pouco mais sobre cada projeto, de como foi a construção de personagens e outras coisas. Porque às vezes é diferente de eu estar na rua, alguém me pedir: “Pode tirar uma foto comigo?”, vou lá e tiro uma foto. Mas você parar para dar uma atenção e trocar uma ideia é outra coisa.
FAM - Como você vê o atual momento do cinema brasileiro, que ficou muito evidenciado internacionalmente com o filme Ainda Estou Aqui?
Leandro Firmino - Acho que a gente está em um momento bem bacana, bem legal, mas precisamos aproveitar. Precisamos aproveitar, fazer mais produções… Não só histórias que sejam contadas no Rio de Janeiro, em São Paulo, mas em todo o Brasil. Porque o Brasil é grande, o Brasil é um gigante, é diverso. O Brasil culturalmente é muito diverso. E eu acredito que o brasileiro quer se ver. O brasileiro, de todas as partes do Brasil, ele quer ser representado de alguma forma.


















































