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Ocupação estudantil é tema do documentário Espero tua (re)volta

Yuri Amaral em debate após a sessão do Espero tua (re) volta
Yuri Amaral em debate após a sessão do Espero tua (re) volta

Três estudantes relembram sobre as lutas estudantis desde as marchas de 2013 até a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, no documentário Espero tua (re)volta, de Eliza Capai, que concorre pela Mostra Doc-FAM e foi exibido no quinto dia do Festival. O filme traz os pontos de vista dos jovens sobre os movimentos de ocupação de escolas e prédios públicos e manifestações como as do “Vem pra Rua”. Os estudantes dão as suas próprias versões e falam sobre feminismo, questão de gênero, exclusão social, mídia, racismo e protagonismo de uma forma bastante atrativa com o intuito de abrir diálogo com diversas faixas etárias, inclusive com outros jovens estudantes.

Após a sessão, os espectadores participaram do debate com o montador do filme, Yuri Amaral, que contou como foi o processo de montagem, feito em conjunto com os três personagens principais, justamente com o objetivo de deixar a história com uma linguagem mais próxima dos estudantes e para que fosse possível aproximar os espectadores de uma ordem cronológica dos fatos, uma vez que estes personagens vivenciaram a ocupação. “Fazendo o filme, fica claro que muita gente entendeu a luta destes jovens como baderna, por isso, tanto as imagens que a mídia alternativa fez quanto os depoimentos dos estudantes, foi de extrema importância para mostrar o que de fato aconteceu e ainda acontece”, conta

Segundo Yuri, a ideia do documentário não é ser um manual sobre como se revoltar, mas sim um documento histórico mesmo, que dá um panorama sobre o que aconteceu nestes cinco anos de ocupação estudantil. “Quando conseguimos colocar cinco anos em uma hora e meia de história, enxergamos tudo de forma mais ampla e entendemos melhor as causas e as consequências dos fatos”, observa.

O reconhecimento pelo trabalho bem desenvolvido veio nos 14 prêmios que a obra já ganhou em festivais no Brasil e no exterior, entre eles no Festival de Cinema da Alemanha, onde estreou em fevereiro de 2019 e de onde saiu com dois prêmios, o da Anistia Internacional (AI) e o da Paz, concedido pela Fundação Heinrich Böll. Os prêmios recebidos fazem parte dos outorgados por júris independentes, antes da cerimônia de entrega dos Ursos de Ouro no Festival de Berlim.

“Eu e Eliza ficamos muito felizes que o filme tenha transbordado, sendo tão reconhecido mundo afora, estimulando o questionamento de ações, culturas e ideologias”, conclui Yuri. Antes de estrear em Festival, a equipe fez uma pré-estreia com todos os estudantes que participaram do filme, junto com seus amigos e familiares e, de acordo com a equipe do filme, foi muito emocionante reunir todas essas pessoas que fazem parte deste projeto de forma direta e indireta.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.
 




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