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Mulheres ocupam diversas áreas na produção cinematográfica

Realizadoras em debate na Sessão Marias
Realizadoras em debate na Sessão Marias

O final de semana de FAM também foi lugar de destaque para o protagonismo das mulheres ocupando outros cargos na realização de filmes, além de produção, figurino e atuação. Nestes dias estava em cartaz a Sessão Marias de Cinema com direito a debate ao final da exibição de domingo com realizadoras que também são representantes do ElaSCine, e o público que, após assistir aos filmes, fez questão de participar.

De acordo com Marilha Naccari, diretora de programação do evento, estas obras têm personagens femininas importantes na trama, que trazem questões debatidas na sociedade a respeito da mulher de uma forma ampla. Além de Marilha, as representantes dos filmes Entremarés, Ana Andrade, e Selma Depois da Chuva, Loli Menezes, também fizeram parte do debate, ao lado da diretora de fotografia, Kiki (Cristina) e de Maria Augusta, diretora do filme Apenas o que Você Precisa Saber Sobre Mim, exibido em outra sessão.

Vinda de Pernambuco, Ana contou que trabalhou com produção durante 10 anos e, quando seguiu caminho na área de roteiro e direção percebeu de forma mais incisiva a dificuldade de ser mulher e trabalhar no cinema em áreas que, culturalmente, são ocupadas por homens. “É muito importante que as mulheres estejam ocupando espaços que também são nossos”, afirmou.

Loli, por sua vez, relembrou a história de como começou o ElaSCine, no FAM de 2018, em uma roda de conversa entre mulheres, após uma sessão de cinema. Naquele momento, elas entenderam a importância de as profissionais do audiovisual se reconhecerem e se identificarem, dentro de suas funções, como profissionais de todas as áreas do audiovisual: diretora, montadora, maquinista, diretora de fotografia, editora, professora, entre tantas outras funções.

Kiki, enquanto diretora de fotografia, também reforçou que a área em que ela atua ainda é muito taxada como um lugar de homens. “Talvez seja a herança de uma cultura da infância de muitas pessoas, uma vez que os meninos são estimulados a ter contato com ferramentas e ter curiosidade com equipamentos em geral e uma câmera nada mais é que um equipamento”, afirma. Porém, este cenário está mudando. Kiki contou que está fazendo uma oficina de assistência de câmera para meninas e percebe o interesse que elas têm em descobrir este equipamento. “É muito bacana acompanhar o empoderamento delas ao perceberem que sim, elas têm capacidade de trabalhar com uma câmera de fotografia”, disse.

Maria Augusta reforçou a importância de exibir filmes feitos por mulheres, para que todas tenham voz para contar suas histórias como forma de empoderamento e, também, reconhecimento. “Talvez algumas pessoas não saibam, mas nós somos maioria no mercado audiovisual de Santa Catarina”, observou. O debate seguiu por pelo menos meia hora após a sessão e, ao finalizarem as perguntas, Marilha reforçou “é preciso ocupar as salas de cinema e resistir com cultura”.

Sobre o ElaSCine

A chapa "elaSCine - Mulheres do Audiovisual Catarinense" foi eleita, no último dia 30 de agosto, por aclamação pelos membros presentes para assumir a gestão 2019/2020 da Associação Cultural Cinemateca Catarinense ABD/SC, entidade histórica que proporcionou sólidas conquistas para o setor audiovisual catarinense, que deu mais um importante passo em sua continuidade, ao eleger a nova Diretoria Executiva com o importante compromisso de reconduzir a associação em tempos desafiadores.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.
 




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