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Política e temas culturais predominam nos filmes do DOC-FAM

Seis filmes foram selecionados entre 128 inscritos
Seis filmes foram selecionados entre 128 inscritos

O DOC-FAM, mostra dedicada aos documentários no FAM 2019, vai apresentar seis longas-metragens, resultado de uma árdua seleção entre 128 produções contemporâneas inscritas. Movimento estudantil, ditadura militar no Brasil e histórias de grandes artistas são os temas principais das produções selecionadas, exbidas sempre às 16 horas, com repetição às 19h15, no Cine Show do Beiramar Shopping.

Um deles, Eduardo Galeano vagamundo, de Felipe Nepomuceno, é o filme de abertura do FAM, dia 26 de setembro, às 16 horas. Uma coprodução Brasil, Argentina, Brasil, México, Portugal e Uruguai, surgiu a partir de uma entrevista com o grande escritor e jornalista uruguaio, autor de clássicos políticos e históricos como As veias abertas da América Latina e O livro dos abraços. Como uma homenagem a Galeano, falecido em 2015, o filme em preto e branco mescla trechos dessa entrevista com a leitura de alguns de seus contos e crônicas por personalidades como o ator argentino Ricardo Darín, o escritor moçambicano Mia Couto e o ator brasileiro Paulo José.

O chileno Zurita, de Alejandra Carmona, que estreia no Chile em 26 de setembro e um dia depois aqui no FAM, apresenta a história de vida do poeta Rubén Zurita, que enfrenta o mal de Parkinson há 17 anos. Ao passo em que a doença se acelera, o poeta demonstra uma vitalidade intensa, contrapondo a vida ao ocaso. Eduardo Lobos, produtor executivo do filme, dará uma palestra sobre produção dia 29 no Rally Universitário, que está cominscrições abertas.

No dia 28 será a vez de Bando, Um Filme De:, com direção de Lázaro Ramos e Thiago Gomes, e roteiro também de Lázaro, que conta a trajetória da companhia negra mais popular e de maior longevidade na história do teatro baiano e uma das mais conhecidas do país, o Bando de Teatro Olodum, surgido em 1990, em Salvador. A companhia deu projeção às carreiras de muitas atrizes e atores negros. Um de seus maiores sucessos foi Ó, pai, Ó!, peça que deu origem a um filme e uma série de TV, dirigidos por Monique Gardenberg. O filme é também uma coprodução com o Canal Brasil, assim como Eduardo Galeano vagamundo,

Dois filmes brasileiros exploram questões históricas e políticas mais atuais do que nunca e a polarização direita/esquerda que o país atravessa. Missão 115, do cineasta e ex-diretor da Ancine Silvio Da-Rin, com exibição dia 1º/10, leva o nome dado pelo DOI-CODI, órgão de repressão na ditadura militar, a uma operação de “vigilância” durante um show no centro de convenções Riocentro, no Rio de Janeiro, em 1981. A operação, na verdade um atentado a bomba para sabotar a redemocratização do país, foi frustrado. No evento havia 18 mil pessoas, mas as bombas explodiram no carro dos oficiais do exército que as levavam, matando um sargento e ferindo um capitão. O filme investiga a história, discute o papel da Lei da Anistia na atualidade e o trabalho da Comissão da Verdade no caso. Silvio Da-Rin dará uma palestra sobre documentário no Rally Universitário, no dia 2, no Museu da Escola Catarinense. As inscrições também estão abertas.

No dia 30, Espero tua (re)volta, de Eliza Capai, traz os pontos de vista de três estudantes sobre as lutas estudantis desde as marchas de 2013 até a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Aborda movimentos de ocupação de escolas e prédios públicos e manifestações como as do Vem pra Rua. Os estudantes dão as suas próprias versões e falam sobre feminismo e gênero, exclusão social, mídia, racismo e protagonismo.

A incrível história de Gran Orquesta, da cineasta argentina Peri Azar, filme do dia 29, começou quando ela encontrou por acaso um baú com 2 mil partituras de jazz jogadas no lixo. Eram da Big Band "Héctor y su jazz", de Buenos Aires, que fez muito sucesso entre as décados de 1940 e 1960. Da descoberta do tesouro até a estreia do filme foram 19 anos. Ela inclusive digitalizou as partituras manuscritas, que estavam se deteriorando e foi em busca dos músicos ainda vivos. É autora do roteiro, produtora, diretora, fotógrafa, montadora, ilustradora e coordenadora musical deste que é o seu primeiro longa-metragem e que resgata a importância do jazz na Argentina. Peri Azar será tutora dos participantes no Rally Unversiário.

O Florianópolis Audiovisual Mercosul é uma realização da Associação Cultural Panvison e Muringa Produções Audiovisuais.

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