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Novas tecnologias em cinema permitem a primazia do talento

Painel com João Rodrigues. Foto Daniel Guillamet
Painel com João Rodrigues. Foto Daniel Guillamet

 O engenheiro João Geraldo Arantes Rodrigues, da Video Engenharia, que tem mais de 20 anos no mercado audiovisual como consultor de tecnologia digital, falou no painel “VR: a nova fronteira do Cinema”, na manhã deste sábado do Forum Audiovisual Mercosul sobre como nas novas tecnologias democratizaram as produções. 

 Rodrigues, que começou a trabalhar no cinema na época da transição do analógico para o digital, disse que os custos de pós-produção, que nos anos 1990 envolviam equipamentos caríssimos (uma ilha de edição off line custava aproximadamente US$ 200 mil, e uma de edição on line chegava a US$ 500 mil), hoje estão muito mais acessíveis. “Esse foi o grande benefício que trouxe a democratização, hoje, basta você ter talento que você pode fazer o que quiser”, afirmou.

 A mudança começou a ocorrer no princípio dos anos 2000, quando a Apple lançou o software Final Cut e surgiram as primeiras câmeras em HD de baixo custo. Em 2007, o aparecimento das câmeras Red One em 4k, que logo começaram a ser utilizadas pela maioria dos técnicos, obrigou a até então onipresente Arri, fundada em 1917 e que pouco havia evoluído desde então, a mudar e lançar as câmeras digitais Alexa, em 2011. “E aí o filme começou a morrer de fato e tudo passou a ser gravado em formato digital”, disse.

 Sobre a nova fronteira da realidade virtual, Rodrigues disse que as câmeras 360º, das quais hoje existem diversos modelos, possibilitam ao espectador imergir dentro da cena, pois a capacidade de captura das imagens funciona em todas as direções. “Não há o que se editar em um filme 360º, é um plano sequência para todos os lados. A única questão é o ajuste entre as duas imagens de mais 180º que se combinam através de um software de edição, que faz o stitch, o ponto da costura”, explicou.

 Rodrigues, no entanto, tem dúvidas se a tecnologia VR vai pegar mesmo no cinema, embora já existam produções sendo feita no formato, como a série Opus VR, no Paraguai. “A experiência com óculos de realidade virtual é angustiante se você usa o equipamento por mais de uma hora”, disse.

 O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

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