Notícias

A continuidade e o quebra-cabeça da ficção audiovisual

Silvina Obregón. Foto Daniel Guillamet
Silvina Obregón. Foto Daniel Guillamet

  Na primeira vez que entrou num set de filmagem, iniciando na profissão, Silvina Obregón foi trabalhar junto com um continuísta que iria capacitá-la, mas o sujeito foi embora no dia seguinte e ela ficou sozinha tendo que aprender na prática. “Meu aprendizado na base da tentativa e erro, porque na continuidade você lida com uma quantidade enorme de informação, e até entrar no sistema leva um tempo”, disse a professora, comunicadora audiovisual e publicitária argentina, que desde 2005 trabalha como continuísta para cinema, televisão e publicidade, na oficina “A construção da continuidade em uma história audiovisual de ficção”, realizada na tarde deste sábado, no Fórum Audiovisual Mercosul que ocorre junto com o FAM 2018, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC.

 Silvina dá aulas de Teoria da Linguagem Audiovisual e Teoria da Crítica Audiovisual na Faculdade de Belas Artes da Universidade Nacional de La Plata, e trabalhou em longas como Viagem à Lua, de Joaquin Cambrem, e Witch, de Marcelo Paez Cubbels, e na Pol-ka Producciones, a principal produtora de tevê e cinema da Argentina. Ela cita a pesquisadora mexicana Mariana Gironella para explicar que a continuidade é “a memória escrita de uma rodagem”, a espinha dorsal de um relato audiovisual de ficção.

 Segundo Silvina, a tarefa do continuísta exige estar em contato com todas as áreas envolvidas na produção, do eletricista que apaga ou acende a luz no momento exato em que o ator aperta o interruptor ao diretor que resolve adotar este ou aquele plano. “Por razões de produção, não se filma na ordem do roteiro, então a continuidade se encarrega de montar esse quebra-cabeça da filmagem, fazendo com que todas as peças se unam no final”, disse.
De acordo com ela, o espaço de trabalho do cinema é bidimensional, mas o continuísta precisa estar atento ao que está fora do campo cinematográfico, àquilo que não aparece no quadro. “O trabalho ultrapassa o plano do espaço cinematográfico, que emerge no espaço virtual criado pelo enquadramento, pelo movimento de câmera e pela montagem. A união desses planos é o que monta a história de ficção”, afirmou.

 Silvina falou sobre os três tipos de continuidade (de movimento, de espaço e de tempo), sobre a importância de se manter uma ordem na rodagem e sobre a importância do continuísta construir boas relações com todos com que trabalha, principalmente os diretores, assistentes de direção, diretores de fotografia, contrarregras e diretores de arte. Mostrou também exemplos de planilhas e programas utilizados para marcação e anotação de todos os elementos e informações que entram em uma produção (dias dramáticos, cenas de interior/exterior, dia/noite, locação, ação, personagens, decoração, vestuário, maquiagem, efeito especial, tipo de lente, tempo estimado.
 
 “O continuísta é quem faz a ligação entre a direção e a montagem. Se a informação não é adequada, se perde tempo e dinheiro de produção. Por isso, talvez, nos primórdios de Hollywood, isso era tarefa de secretárias. Hoje, nos Estados Unidos, essa função recebe o nome de supervisor de roteiro”, disse Silvina que, mesmo com a tecnologia dos programas e planilhas, prefere trabalhar com o roteiro em papel, onde anota e marca com cores, signos e desenhos, cada informação que necessita incluir no texto para fazer o seu trabalho. “Um bom continuísta otimiza a qualidade da produção”, destacou.

 O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Apoio