Notícias

Série policial Mata Selvagem é alavancada por Encontro de Coprodução

Tiago Santos, Juancho Ferreira e Beto Rodrigues, produtores. Foto: Daniel Guilhamet
Tiago Santos, Juancho Ferreira e Beto Rodrigues, produtores. Foto: Daniel Guilhamet

 Filmada na Tríplice Fronteira, com produtoras da Argentina, Brasil e Paraguai, a série policial Mata Selvagem, dirigida por Iñaki Echeberría, é um exemplo de coprodução que teve seu desenvolvimento determinado pelo Encontro de Coprodução do Mercosul no FAM. O produtor argentino Juancho Ferreira apresentou o projeto da edição passada do Encontro em 2017. Desde então, encontrou produtoras parceiras e a série está em finalização, com a segunda temporada já prevista.

 Com quatro episódios praticamente prontos, é falada em espanhol e tem como protagonista Bárbara (a atriz de Missiones Sabina Buss), uma mulher policial que trabalha na fronteira e faz tratamento psiquiátrico. Ela abandona o tratamento para investigar o desaparecimento e assassinato de sua irmã. A série acompanha o processo de investigação e os conflitos da policial.

 “Havíamos ganhamos um edital do INCAA .e por várias causas, entre elas a inflação na Argentina, que consumiu 40% dos recursos do projeto em 15 meses, estávamos procurando coprodutores. Conhecemos aqui parceiros brasileiros e paraguaios. Com isso internacionalizamos o projeto, estamos amparados de outra forma e alcançamos mais janelas”, observou Ferreira. Para ele, o encontro abre os olhos dos players do mercado para os bons projetos de porte médio e pequeno, ao mesmo tempo em que permite encontrar pessoalmente executivos e dirigentes das agências públicas como a Ancine.

 A coprodução da série é majoritariamente argentina (80%), realizada pela Cooperativa Productora de la Tierra, e duas produtoras paraguaias detêm parte da cota (Al Manco e Koreko Gua). O Brasil é minoritário, com participação de 20%, com as produtoras Muringa Filmes, de Tiago Santos, FM Produções, de Fernando Muniz e o produtor Beto Rodrigues (Panda Filmes), como pessoa física. As locações foram em Cuidad de Leste (Paraguai), em Foz do Iguaçu (Paraná) e Puerto Esperanza (Argentina) e algumas cenas gravadas em Florianópolis. No Brasil, será exibida pelo canal Box Brasil. As produtoras trabalham também para a venda internacional da série para América Latina e Europa, e já participaram dos mercados audiovisuais argentinos MICA e Ventana Sur.

 “Quando conheci o projeto vi ali que tinha uma obra orgânica, com tipologia própria da fronteira, e equipe e elenco dos três países. Sob vários aspectos percebi um potencial enorme, porque estou trabalhando há muitos anos com construção de uma rede de produção e parcerias. Coproduzimos muitos longas, mas essa é a primeira oportunidade de uma série em coprodução”, disse Rodrigues.

 Tiago Santos, produtor do FAM, coprodutor nessa série e também montador, lembra que não existia um acordo bilateral para produção de séries, apenas de longas. “Por causa desse entrave, entramos num acordo multilateral latino-americano para audiovisual, aí cabendo a série, e temos técnicos líderes de área e atores brasileiros”.

 O título da série faz referência à mata que existe na região de Missiones, no entorno das Cataratas do Iguaçu. Uma mata exuberante, mas também utilizada para esconder coisas, como corpos. A estética é inspirada em séries policiais de TV como “True Detective” e “Top of de Lake” de Jane Campion.

 O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

 

Apoio