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Painel sobre fomento no FAM finaliza Encontro de Coprodução

Roni, Rollo, Gloria e Adelfa Martinez
Roni, Rollo, Gloria e Adelfa Martinez

 O segundo Encontro de Coprodução do Mercosul terminou com o painel “Acordos e fomento em coprodução”, mediado por João Roni, produtor e ex-presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual de Santa Catarina, com a presença de Adelfa Martinez (Ministério da Cultura da Colômbia), Gustavo Ferreira Rolla (Relações Internacionais da Ancine) e Gloria Samaniego, da Secretarìa Nacional de Cultura do Paraguai.

 O painel teve no início o lançamento da Film Commission de Florianópolis e ao final a revelação do projeto vencedor do Encontro de Coprodução, que receberá uma assessoria de desenvolvimento por parte dos players envolvidos no encontro.

 Adelfa Martinez, da Dirección Nacional de la Cinematografia da Colômbia e secretária executiva da Conferência das Autoridades Audiovisuais e Cinematográficas Ibero-americanas (CAACI), também representou o programa Ibermedia. Ela observou que o Ibermedia nasceu por iniciativa de sete países e está completando 20 anos. Nesse período, investiu US$ 93 milhões em diversas linhas de apoio. Mais de 1.600 filmes estrearam e participam dos principais festivais do mundo. O programa atualmente tem a participação de 21 países e contribuiu para o desenvolvimento de 2 mil empresas e apoio a mais de 10 mil profissionais do audiovisual. “Há consciência política de fortalecer o Ibermedia, que se converteu em uma marca de qualidade para os projetos beneficiados pelo programa e ajuda a acessar outros mercados e fundos”.

 Ela salientou que para países com cinematografias emergentes é importante coproduzir com o Brasil e Portugal. A lei de cinema da Colômbia, de 2003, estabeleceu um fundo de desenvolvimento cinematográfico inspirado na legislação brasileira e francesa. Esse fundo tem uma arrecadação anual de US$ 10 milhões, divididos em toda a cadeia, e os projetos acessam o fundo por um edital público. Em 2017, foram produzidos 44 filmes, e o país registrou um crescimento exponencial em número de salas e público. “Um terço dos filmes colombianos é de coproduções que acontecem com apoio do Ibermedia e outros acordos. A Colômbia se sente parecida com Brasil, porém a relação é tímida, fizemos apenas quatro coproduções em conjunto, mas queremos estreitar relações”, disse.

 Em 2012, foi aprovada uma nova lei para atrair produções internacionais à Colômbia e fortalecer as film commissions locais. São aceitos projetos que tenham investimento em torno de US$ 500 mil. As produtoras recebem de volta 40% dos gastos associados com pessoal contratado na Colômbia e equipamentos e 20% do valor relacionado a questões logísticas, o que torna sedutor aos países filmar na Colômbia. “Dessa forma, conseguimos em quatro anos atrair 39 filmes, que resultaram em novos negócios, empregos, troca de conhecimento, que tem permitido a profissionalização do setor”.

 Gloria Samaniego, representando a Secretaria de Cultura do Paraguai e a Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul (RECAM) lembrou da promulgação da lei do audiovisual no Paraguai. “Em breve teremos um Instituto de Audiovisual e a última Reunião da Recam, a trigésima, foi realizada em Assunção, em junho”, comemorou.

 A diretora de programação do FAM, Marilha Naccari, lembrou da importância da recente aprovação da lei paraguaia. “Temos uma dívida imensa com o Paraguai, país que se esforça em produzir e tem potencial criativo. A lei foi uma grande conquista, no Encontro de Coprodução passado a maioria dos produtores presentes queria fazer negócios com o país”. E para estimular essas coproduções, foi criada uma rede de apoio envolvendo instituições e produtoras do sul do Brasil, nordeste da Argentina e Paraguai.

 Gustavo Rolla, assessor de Relações Internacionais da Ancine, disse que a agência trabalha para atrair coproduções com o Brasil, e existem acordos e tratados atualmente com 23 países, para obras binacionais e multilateriais, uma deles latino-americano (envolvendo 15 países), além de acordos envolvendo Portugal, Espanha e Itália. Um grupo de trabalho foi formado para atrair coproduções com outros países como China, Japão e Coreia do Sul.

 Outro âmbito de atuação da Ancine é a assessoria para promoção internacional de obras e empresas. “As produtoras são apoiadas para participar de 96 festivais e 35 mercados e assim difundir nossa cinematografia e expor nossa cultura”, informou. Uma novidade recente é uma linha de atuação inédita do Fundo Setorial do Audiovisual para projetos de TV, no valor de R$ 20 milhões e outros R$ 20 milhões para produções de cinema.

 O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

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