Notícias

Selo Marias de Cinema destaca filmes que abordam temas femininos com complexidade


 Nesta edição o FAM destaca pela primeira vez com o selo Marias de Cinema filmes que apresentam temática ou personagem feminina de uma forma condizente com a complexidade humana. São 19 filmes que receberam essa indicação, a partir de uma curadoria realizada pela diretora de programação do FAM, Marilha Naccari.

 O selo é resultado de uma atenção especial que o FAM dedica a essas questões e vem sendo pensado desde 2011. “São filmes que têm personagens femininas importantes na trama, que trazem questões debatidas na sociedade a respeito da mulher de uma forma ampla”, explica Marilha. Na edição de 2017 a programação foi classificada de acordo com o Teste de Bechdel, que verifica se o filme possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem e que elas tenham seus nomes apresentados.

 Este ano, como tem ocorrido nos anos anteriores, o FAM tem um número expressivo de mulheres diretoras e de filmes que abordam questões femininas. Na Mostra DOC-FAM, por exemplo, de cinco filmes, três têm mulheres como diretoras, e na Mostra Catarinense, dos 10 filmes, seis são dirigidos por mulheres, além do festival e fórum contarem com a presença de mulheres palestrantes e atuantes na política e economia do audiovisual, como Vera Zaverucha, que participou do processo que resultou na criação da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, e foi sua diretora entre 2011 e 2015. .

 Receberam o selo Marias de Cinema quatro dos seis longas convidados da Mostra de Longas Mercosul, dois deles dirigidos por mulheres, Açúcar, o filme de abertura, de Renata Pinheiro (codirigido por Sérgio Oliveira) e Para Ter Onde Ir, de Jorane Castro, e ambos têm protagonistas mulheres que lidam com desafios pessoais e preconceito. Dirigidos por homens, La Sargento Matacho, de William González (Colômbia), sobre Rosalba Velasco, que se tornou a primeira bandoleira colombiana depois do assassinato do seu marido, e Las Olas, de Adrián Biniez (Argentina/Uruguai), que trata de um homem rememorando verões da sua vida.

 No DOC-FAM, receberam o selo os filmes La Manuela, de Clara Linhart, que fala sobre a vida de jornalista e professora franco-brasileira Manuela Picq Lavinas, presa no Equador e depois exilada, Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula, sobre a herdeira da maior produtora cinematográfica do Brasil, a Cinédia, e Orione, de Toia Bonino, documentário que apresenta contradições em uma família depois do assassinato de seus membros.

 Nos Curtas Mercosul são seis filmes com o selo, que discutem temas como violência contra a mulher e estupro, mães que precisam dar conta sozinhas dos filhos e buscar uma vida melhor, solidão e amizade: Ouroboros, de Beatriz Pessoa e Guilherme Andrade (SP), A gente nasce só de mãe, de Caru Roelis (MT), Antolina, de Miguel Agüero (Paraguai), Coral da Ponta, de Alan Stone Langdon (SC), Las Dos, de Emiliano Umpierrez (Uruguai) e Mica, de Sandra Ruth Cagnolo (Argentina).

 Entre os Curtas Catarinenses, o ousado Volcano, de Nataly Callai, fala de um tema tabu para as mulheres e o experimental Atos (título provisório), de Beatriz Kestering Tramontin, é uma manifestação pela representação feminina no audiovisual e nas artes. Par Perfeito, de Débora Herling, aborda transformações e amizade na adolescência, do ponto de vista de um tênis.

 Na Infantojuvenil, o selo foi para os filmes que abordam questões femininas na infância com beleza a sutileza: Arraigo, de Maria Laura Reina (Venezuela), Luiz, de Alexandre Estevanato e O Menino Leão e a Menina Coruja, de Renan Montenegro.

 O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

 

Apoio