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Pitching como ato de criação, tema da abertura do Encontro de Coprodução

Victor Lopes - foto Daniel Guillamet
Victor Lopes - foto Daniel Guillamet

 A defesa de um projeto audiovisual em pouco tempo para uma banca de canais e distribuidoras, formato conhecido como pitching, foi o tema de uma master class de Victor Lopes na abertura do Encontro de Coprodução do Mercosul 2018, nesta terça no FAM.

 O encontro acontece pelo segundo ano e nesta edição participam 27 produtoras da Argentina, Brasil, Paraguai, Peru e Uruguai que vão apresentar seus projetos em pitchings e rodadas de negócios diretamente com os canais de televisão Canal Fox, Canal Brasil, Globo News, Cine Brasil Tv, Box Brazil, Wohoo e as distribuidoras Imagem Filmes, Preciosa Media, ArtKino e Olhar Distribuição.

 A abertura teve a participação dos parceiros do encontro, o advogado especialista em audiovisual Petrus Barretto e de Lucas Soussumi, da Bravi – Brasil Audiovisual Independente. Antônio Celso dos Santos, coordenador geral do FAM, lembrou que desde a primeira edição, em 1997, o festival propõe discussões sobre como alavancar negócios da cadeia do audiovisual, e o encontro também é resultado disso.

 Victor Lopes é moçambicano, há 40 anos no Brasil, e diretor, roteirista e produtor de cinema e TV. Dirigiu seis longas, entre eles quatro que começaram a partir de pitchings. O primeiro deles foi Língua, sobre a língua portuguesa, em 1999. Desde então, participa de bancas, incluindo bancas internacionais do RioContentMarket, e é professor, consultor da área e dirige a Faro, uma empresa de propriedade intelectual. “Para mim o pitching não é um ato de venda, mas de criação, é o primeiro momento público do projeto. A venda é uma das etapas”, defendeu.

 O termo vem de pitch (saque) no beisebol, e o formato faz uma alusão a um jogo entre produtoras e mercado, no qual se dá a partida e se espera o retorno. É derivado do mercado financeiro, a partir da ideia de pitching de elevador, que é conseguir apresentar e convencer sobre um projeto no tempo do elevador. Depois de ser adotado em um festival na Holanda foi incorporado a festivais e eventos no mundo inteiro. No Brasil, é usado no RioContentMarket desde a primeira edição e em editais do FSA/Ancine e BNDES.

 Numa apresentação de 7 a 10 minutos, seguida de um debate de 8 a 10 minutos, é possível conseguir alavancar um projeto. “Pitching é uma apresentação da essência do projeto, um discurso presencial que traz o DNA do filme ou série para o mercado e que depois vai servir para negociar com canais e distribuidores, com a equipe e elenco e para criar conexões com possíveis parceiros que estão assistindo a defesa”.

 Segundo ele, o pitching deve ser apresentado por no máximo duas pessoas (produtor e diretor/roteirista). Deve ser conciso e instigante e evitar apresentações em power point, especialmente com muito texto. Se forem usadas, devem ter apenas currículo pessoal e da produtora, título do projeto, fomato, gênero e duração, seguidos de uma story line curta. “É preciso alimentar pontos fortes, mas não relevar defeitos e dúvidas que vão ser confrontados no debate, e sim apresentar soluções para os pontos fracos”.

 Usar demos ou promos deve ser evitado, a menos que tenham 2 minutos no máximo e material visual com fotos, trechos de filmes ou imagens de arquivo servem especialmente para projetos de documentários e animação, porém devem ser usados com parcimônia. A ênfase é mesmo no discurso, e é preciso treinar para superar a timidez na apresentação. “Você está a serviço de uma ideia, de uma coisa maior que você, então cabe o conselho dito por Osho (na série Wild Wild Contry, sobre o líder rajneesh), saia da sua frente e vá além de você mesmo”.

 O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.
 

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