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Diretor de fotografia argentino fala sobre o controle da luz em cena

Fernando Lockett - Foto: Marino Mondek
Fernando Lockett - Foto: Marino Mondek

Sem luz não há cinema. E o segredo de um bom diretor de fotografia é ter o controle da luz. O argentino Fernando Lockett, diretor de fotografia do longa-metragem colombiano Oscuro Animal, que será apresentado sábado na Mostra Longas Mercosul do FAM 2017, explicou os truques que utilizou em alguns de seus filmes, principalmente os realizados com o amigo de faculdade e diretor Matías Piñeiro, na palestra sobre “Direção de Fotografia” aos participantes do Rally Universitário do 21º Florianópolis Audiovisual Mercosul.

Lockett estudou na Universidad del Cine de Buenos Aires e, nas aulas onde se discutiam aspectos do Neorrealismo Italiano e da Nouvelle Vague francesa, ficou particularmente interessado em descobrir quais as técnicas utilizadas pelos fotógrafos daqueles filmes e de outras cinematografias, profissionais como Néstor Almendros, Raoul Coutard, William Lubthcansky, Sven Nykvist, entre outros, para encontrar maneiras de aplicá-las nos filmes de baixo orçamento que ele fez com Matías Piñeiro, obras como Todos mientem (2009), Rosalinda (2010) e Viola (2012), e no curta-metragem Yegas y Cotorras (2012), da diretora Natalia Garagiola.

“Precisava encontrar um jeito de fazer algo que fosse bom, de qualidade e de baixo orçamento. O caminho era a luz natural. E usando o exemplo desses caras, fui armando-me de uma bateria de ferramentas baratas, mas que são efetivas na hora da filmagem. Nessa altura, estabelece-se um segundo diálogo, que é fazer com que o diretor se alinhe à essa estética factível para o orçamento do filme. Acontece, às vezes, de o diretor querer algo mais sofisticado, algo mais Hollywood, então é preciso mostrar que é possível fazer de um outro jeito”, disse Lockett.

O fotógrafo explicou como utilizar a luz natural, portas, janelas e aberturas em ambientes que possibilitem elementos de profundidade nos enquadramentos, e revelou que costuma usar dois equipamentos preferenciais. O primeiro é o kino flo curto, que permite a emissão de uma luz difusa, que se pode mesclar na cena e muitas vezes emular a luz natural, para poder afastar ou aproximar a luz do personagem e fazer a mudança de contraste nos rostos quando em primeiro plano. Em planos abertos, essa distância da difusão vai também equilibrando o contraste da imagem em relação ao espaço atrás do que está se filmando. “Para que seja verossímil essa luz artificial que você está botando no set, com a luz natural de todo espaço ao redor, essa difusão é que dá a marcação certa. Você afasta ou aproxima o kino flo até encontrar o mesmo contraste que o espaço já tem com relação ao fundo”, afirmou.

A segunda ferramenta, muito utilizada em exteriores, são os panos pretos 4x4 posicionados atrás da câmera, geralmente numa armação do tipo butterfly ou em um suporte em formato “T”, para permitir um grande volume de contraluz. “Isso gera um contraste mais ordenado, mais orgânico. Para não ficar tudo chato, aplanado de luz frontal. É ótimo para se ter um controle maior sobre a incidência da luz na cena”, disse.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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