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O inferno particular de três colombianas em Oscuro Animal

Marleyda Soto, em Oscuro Animal
Marleyda Soto, em Oscuro Animal

Vencedor do prêmio de Melhor Filme Iberoamericano do Festival de Guadalajara, Oscuro Animal, primeiro longa do diretor colombiano Felipe Guerrero, será exibido no sábado, dia 24, na programação da Mostra Longas Mercosul do FAM 2017. O filme mostra a difícil situação de três mulheres – Rocío (Marleyda Soto), La Mona (Jocelyn Meneses) e Nelsa (Luisa Vides) –, vítimas da violência da guerra civil e do narcotráfico, que precisam deixar suas casas e fugir pela floresta, cada uma seguindo o seu caminho, para chegar a Bogotá e tentar começar uma nova vida. Três mulheres subjugadas por um estado de terror permanente, que se veem obrigadas até mesmo a usar da violência que as apavora para sobreviver.

Sem diálogos, apenas com o som da floresta emergindo a todo instante e reforçando a interiorização dolorosa das personagens, o filme é apresentado como três histórias separadas. A primeira mostra Rocio voltando depois de lavar a roupa à beira do rio para encontrar o seu vilarejo destruído e abandonado. Decidida a deixar a montanha onde vive, ela toma um ônibus que é atacado e ela encontra um pouco de redenção na amizade com uma garotinha.

Na segunda história, La Mona está grávida de um paramilitar que abusa dela com frequência. Quando chega a um ponto de não suportar mais a situação que vive, ela o esfaqueia e foge pela floresta, na direção da cidade. No relato final, Nelsa é uma paramilitar encarregada de enterrar os corpos dos camponeses que seu destacamento assassinou. Usada como objeto sexual por seus companheiros, decide então fugir em busca da paz em Bogotá.

No entanto, o final do filme em nada indica que elas tenham direito a um mundo melhor em suas trajetórias. O filme começa com as águas claras do rio, mas encerra com as três instaladas em uma pensão urbana sórdida e lúgubre, provavelmente uma pista de que o que lhes está reservado é apenas outro inferno.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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