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Música como parte da criação cinematográfica

Livio Tragtenberg
Livio Tragtenberg

Na próxima sexta-feira, 23 de junho, às 10h, acontece dentro do Fórum Audiovisual Mercosul o painel com o tema “Trilha sonora no cinema”, com a participação do compositor e saxofonista Livio Tragtenberg e mediação do músico e filósofo Nestor Habcock.

Autor de trilhas sonoras em mais de 40 longa-metragens, Tragtenberg diz que a música feita para filmes é mais do apenas uma trilha quando ela assume um papel narrativo e não somente ornamentativo. “Quando a música vem para reforçar o que a imagem já está dizendo, ela apenas reforça o significado de um diálogo ou de uma situação. Então ela diz a mesma coisa que a imagem. Ela é algo mais quando acrescenta um elemento que a imagem não expressa. Não significa que ela precisa ser o oposto da imagem, mas que ela traga um elemento a mais para a leitura daquela imagem”, diz o compositor, acrescentando que assim a música deixa de ser descritiva e passa a ser música de cinema em um sentido mais criativo.

Tragtenberg também escreve música para teatro, vídeo e dança. Suas óperas Inferno em Wall Street (1987) e Tatuturema (1991) ganharam, respectivamente, o Prêmio Vitae e a bolsa da Fundação Guggenheim. É autor dos livros Artigos Musicais (Editora Perspectiva, 1991) e Contraponto (EdUSP/Música de Cena, 1994) e criou a Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo e a Nervous City Orchestra em Miami, Estados Unidos, além da Blind Sound Orchestra, com músicos cegos tocando filmes mudos.

Para Tragtenberg, o tipo de trilha sonora que manipula a emoção das pessoas é repulsivo. “Esse uso da audiência eu acho nojento, procuro evitar esse tipo de relação quando é música de cinema. O cinema tem essa coisa arrebatadora, que te envolve. Procuro trazer outras coisas do que só fazer o público ser reativo. Você está ali conversando com gente, não com um monte de corpos reativos emocionalmente só. Tem outros níveis. Tem a coisa da cabeça, mesmo sensorial, não só no sentido de manipular uma emoção, chegar a um ponto, ‘vou te levar pra cá’”, afirma.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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