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Feridas de um passado latino-americano

Magaly Solier como Celina, em A Passageira
Magaly Solier como Celina, em A Passageira

Filme que será apresentado na sexta-feira, dia 23, às 21h na Mostra de Longas Mercosul do FAM 2017, A Passageira (Magallanes em espanhol) é o primeiro longa-metragem dirigido pelo ator e atual ministro da Cultura peruano Salvador del Solar, protagonista de Pantaleão e as Visitadoras (2000), filme de Francisco Lombardi baseado na obra de Mario Vargas Llosa.

A Passageira traz à frente do elenco um ator conhecido do público do FAM no ano passado, o mexicano Damián Alcázar, que viveu o violonista Agustín Barrios no filme paraguaio Mangoré, por amor al arte, exibido na Mostra de Longas de 2016. Agora, Alcázar interpreta o motorista de táxi Magallanes, cujo passado sombrio como soldado do exército peruano volta à tona quando entra em seu carro Celina (a atriz de origem indígena Magaly Solier), que ele conheceu há 25 anos e que agora é dona de um salão de beleza na periferia de Lima. A Passageira recebeu o prêmio especial do júri do Festival de Havana e foi escolhido Melhor Filme no Festival de Huelva, na Espanha.

Inspirado no romance do escritor peruano Alonso Cueto (La Pasajera), o filme serve também como diagnóstico das mazelas sofridas pela população de muitos países latino-americanos que viveram sob ditaduras. No caso retratado no filme de del Solar, o período que antecede a ditadura de Alberto Fujimori e a luta do exército peruano contra o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso.

Quando era soldado, Magallanes trabalhava sob as ordens do coronel, vivido pelo excelente ator argentino Federico Lupi (de O Labirinto do Fauno), e ajudou a então menina Celina, de uma tribo indígena acossada pelos militares sob acusação de colaboração com a guerrilha, a escapar do papel de escrava sexual dos militares.

Em entrevista ao jornal El País, logo após ter recebido o prêmio de Melhor Filme do Público do 19º Festival do Cinema de Lima, em setembro do ano passado, o diretor Salvador del Solar afirmou que A Passageira é, de certa forma, uma busca pela reconciliação e, também, para além do entretenimento cinematográfico, por fazer com que nos incomodemos e pensemos de novo acerca do que se passou nos difíceis tempos das ditaduras latino-americanas.

“Estou mais interessado nas consequências psicológicas dessa violência do que nos métodos para implementá-la. O meu principal desafio foi encontrar o equilíbrio entre trama e a história, uma história dolorosa, que toca fundo num passado recente que, no entanto, acompanha o presente do Peru muito mais do que gostamos de admitir”, afirmou o diretor.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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