Notícias

FAM termina com longa brasileiro Campo Grande e homenagem aos realizadores do festival

Celso dos Santos, diretor do FAM
Celso dos Santos, diretor do FAM

A edição de 20 anos do Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 2016 terminou com o 50º filme exibido em oito dias, um retrato do Brasil pelo olhar de Sandra Kogut, em Campo Grande, longa sobre o amor que surge na diferença, neste caso de classes sociais e de idade entre os personagens, distância que se dilui à medida que se conhecem. Antes, houve a estreia de Angelus Novos, longa catarinense de Rafael Schlichting, Claudia Cárdenas, seguida da premiação do FAM para diversas categorias, com a entrega do Troféu Panvision e do Prêmio Apoiador aos melhores filmes na escolha do Júri Oficial e Popular, com transmissão ao vivo pelo Facebook, feita pelo Canal Brasil e pela fan page do FAM.

Para agradecer a persistência dos realizadores Celso dos Santos, Denise Naccari, Tiago dos Santos e Marilha Naccari em fazer o festival acontecer ano após ano, a equipe do FAM entregou um texto escrito e assinado por todos, homenagem muito aplaudida pelo público. Nesta edição comemorativa, assim como todas as outras, o público reafirma sua identificação com o FAM. Mais de 20 mil pessoas passaram por todas as sessões e eventos paralelos no Centro de Eventos da UFSC.

Para aproximar todos os públicos, o cerimonial de encerramento foi traduzido em Libras, e a exibição de Campo Grande teve audiodescrição para cegos, resultado de um prêmio que o filme recebeu da Reunión Especializada de Autoridades Cinematográficas y Audiovisuales del Mercosur (Recam). A representante da Recam no Brasil, Sylvia Bahiense, também fez uma homenagem aos 20 anos do FAM. Nesta edição, a Recam também ofereceu ao melhor filme da DOC-FAM, 5X Chico, o prêmio que financiará a legendagem em português ou espanhol e uma cópia acessível a pessoas cegas e com baixa visão, legenda para surdos e ensurdecidos e janela de Libras.

Os parceiros do FAM também entregaram o Prêmio Apoiador aos melhores filmes.  O documentário 5X Chico, de Gustavo Spolidoro, Camilo Cavalcante, Eduardo Goldenstein e Eduardo Nunes, vencedor pelo Júri Oficial do DOC-FAM ganhou correção de cor da O2 Pós, deliveries da Mistika e mixagem da Cinecolor.

O vencedor da Infantojuvenil, O melhor som do mundo, de Pedro Paulo de Andrade, recebeu apoio em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Cia Rio e também correção de cor da O2 Pós, deliveries da Mistika e mixagem da Cinecolor, mesmos prêmios para o melhor Curta Mercosul, Chacal Palavra Filme, Piu Gomes, que também vai participar da Mostra Competitiva do Festival Oberá en Cortos, na Argentina.

Para o Melhor Curta Catarinense, Buracão, de Teka Simon e Camila Oliveira, foi entregue o Troféu Institucional da Água Santa Rita, certificado institucional Itapema FM, preparação de elenco da escola Aktoro, locação de equipamentos da Cia Rio, correção de cor e DCP da Link Digital, mixagem da Up Mix e mixagem também da JLS. O curta documentário Deserto Verde, de Juliana Kroeger, recebeu o Prêmio Aquisição do Canal Brasil, no valor de R$ 15 mil.

Ganharam as bolsas parciais para participar do Projeto Santa Cruz 100x 100 no Fenavid da Bolívia Fernanda Pessoa de Carvalho, Julie de Oliveira, Luiz Fernando Fernandes Machado e Lucas Barrinuevo Feitosa. A bolsa integral foi para Carolina Maciel de Andrade.

Temas deste ano

Acessibilidade para pessoas com deficiência também foi um tema do FAM, como na edição passada, numa conversa no Fórum Audiovisual e no lançamento do piloto de série de TV Crisálida na Mostra Infantojuvenil, e que atraiu um grande público adulto da comunidade surda de Florianópolis.

Um diagnóstico inédito da presença dos filmes brasileiros em festivais, entraves na distribuição de produções, incentivos públicos às coproduções, o papel das film commissions e os games como indústria foram temas do Fórum. Concorridas oficinas gratuitas trataram de roteiro, direção de fotografia, produção audiovisual para jovens, games e pós-produção.

O festival teve um tom político todo o tempo, começando com as manifestações do Ocupa MinC SC e Fora Temer que aconteceram na abertura, continuando nas mostras de Longas e DOC-FAM, em filmes como A noite escura da alma, de Henrique Dantas, Central, de Tatiana Sager e o argentino El Movimiento, de Benjamin Naishtat. Outro tema presente em diversas produções e um debate contemporâneo, a violência de gênero foi abordada em Quem matou Eloá e Paulina (La Patota).

O FAM 20 anos tem o patrocínio do Governo do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes/FunCultural, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision/ A.C.S.

Esta 20ª edição chega ao fim, já com data marcada para a próxima, de 16 a 23 de junho de 2017, aqui mesmo na UFSC. Até lá!