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Pluralidade de temas e linguagens na Mostra DOC-FAM

Mostra DOC-FAM apresenta seis filmes
Mostra DOC-FAM apresenta seis filmes

A Mostra DOC-FAM 2016 vai apresentar seis documentários de longa-metragem, com temas que vão do futebol, ditadura militar brasileira e música regionalista à revolução na psiquiatria e uma viagem ao Rio São Francisco e ao cotidiano de um presídio. Entre eles estão duas estreias, o argentino Zebras, de Javier Zeballos, e o brasileiro Ao Som do Chamamé, de Lucas de Barros.

Em Zebras, nove meninos argentinos formam a seleção argentina de futebol que veio participar da Copa de Mundo dos Meninos de Rua, no Rio de Janeiro, em 2014, um evento promovido pouco antes da Copa do Mundo do Brasil por uma ONG inglesa que reuniu mais de 200 crianças e adolescentes de 19 países. Tendo a grande responsabilidade de jogar no rival Brasil, os meninos ganharam o reconhecimento como equipe que mais melhorou durante o evento, sendo considerados "zebras" do torneio. O documentário mostra as grandes novidades pelas quais passaram, desde a saída do abrigo em que viviam para jogar fora do seu país, a viagem de avião pela primeira vez, a superação de dificuldades econômicas e o encontro com meninos e meninas do mundo com histórias parecidas com as suas.
 

Em busca das raízes e da cultura do chamamé, Ao Som do Chamamé reúne músicos e conhecedores desse ritmo surgido na Bacia do Prata, na Argentina, e cultuado no Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, que une três fronteiras e tem suas particularidades em cada lugar. A produção de Florianópolis entrevistou e filmou apresentações musicais de vários artistas, no Paraguai, Argentina e Brasil, como Antonio Tarragó Ros, Teresa Parodi, Lucio Yanel, Raul Barboza, Coquimarola, Benitez e Elinho do Bandoneón, Amambay, Matias Galarza, Gregório, Maurício Brito e Humberto Yule.
 

Cinco diretores retratam o Rio São Francisco em toda sua extensão, atravessando cinco estados brasileiros, no filme 5 X Chico - o velho e sua gente. Gustavo Spolidoro, Ana Rieper, Camilo Cavalcante, Eduardo Goldestein e Eduardo Nunes dirigem uma parte do filme, realizado desde a nascente em Minas Gerais, passando pela Bahia e Pernambuco até a foz entre Alagoas e Sergipe. Em cada lugar, contam as histórias dos ribeirinhos, apresentam seus personagens, sua cultura e religiosidade e a economia relacionada ao rio.

O diretor Henrique Dantas revisita de maneira experimental um período da ditadura militar na Bahia, em A Noite Escura da Alma. O filme une performances de atores no Forte do Barbalho, em Salvador (o maior centro de tortura da Bahia na época, hoje um espaço cultural) e entrevistas com pessoas que sobreviveram às torturas, como Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura, a cineasta Lúcia Murat e o antropólogo Renato da Silveira. Outros depoimentos foram gravados no Rio, em Minas e em Pernambuco. Seu filme Sinais de Cinza: A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, sobre o cineasta Olney São Paulo, vítima da ditadura militar, recebeu Menção Honrosa no DOC-FAM 2014.

Olhar de Nise, de Jorge de Oliveira e Pedro Zoca, é conduzido pela última entrevista em vida, aos 94 anos, da psiquiatra Nise da Silveira, que iniciou a humanização no Brasil do tratamento de pessoas com doença mental e a busca da cura por meio da arte, em ateliês de pintura e modelagem. Foi a primeira mulher alagoana a se formar em medicina, presa no governo de Getúlio Vargas, e se revoltou contra os tratamentos convencionais da época, como eletrochoques e lobotomia. Seu trabalho revolucionário chamou a atenção de Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, e a vasta produção de inúmeros artistas revelados assim forma o acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, criado por ela. Foi o melhor filme na escolha do público do FESTin Portugal 2016 e recebeu Menção Honrosa pela contribuição científica ao mundo ao contar essa história.

Central, de Tatiana Sager e codireção de Renato Dorneles, trata do Presídio Central de Porto Alegre, que já foi considerado o pior do país e denunciado por violação dos direitos humanos. Nele surgiu a organização criminosa Falange Gaúcha. Baseado no livro do jornalista Renato Dorneles, o filme foi eleito o Melhor Documentário do FESTin 2016. Traz depoimentos de representantes do Poder Judiciário e Ministério Público, pesquisadores, policiais militares, presos e suas famílias, que falam sobre o cotidiano e graves problemas da cadeia, como a superlotação do lugar projetado para no máximo 1.600 pessoas, mas que já chegou a ter 5 mil.

O FAM 20 anos tem o patrocínio do Governo do Estado de Santa Catarina - Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes e da Petrobras, com apoio da Secretaria de Cultura da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision/ A.C.S.

 

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