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Produções sustentáveis e film friendly encerram os painéis do ECM


A busca por produções mais sustentáveis de fato e cidades amigáveis ao audiovisual foram temas do último painel do 5º Encontro de Coprodução do Mercosul - ECM+LAB no FAM 2021. A conversa Film Commission - Film Friendly - Green Film, com mediação de Tiago Santos, produtor do FAM, teve a participação do consultor Daniel Celli; Ana Aizenberg (Film Commission da Argentina); Luz Molina (Promálaga, Espanha), Rachel do Valle (Show Me the Fund) e Beatriz Kowalski (Floram).

Participaram ainda representantes de associações do audiovisual da região, Joaquin Serrano (Cámara Paraguaya de Empresas Productoras de Cine y Televisión (Campro), Alejandra Francia (Asociación de Productores y Realizadores de Cine del Uruguay – Asoprod), Noemi Fuhrer (Asociación de Productores Independientes de Medios Audiovisuales independientes – Apima), da Argentina, e Mauro Garcia, da Brasil Audiovisual Independente (Bravi).

Daniel Celli foi consultor este ano sobre sustentabilidade aos 12 projetos de longas e séries, de sete países, participantes do ECM-LAB. A consultoria apresentou uma provocação aos realizadores e oportunidades práticas para mudanças reais. Os produtores responderam um questionário que ajudou a refletir sobre questões como matéria-prima e fornecedores sustentáveis, otimização de energia, como uso de lâmpadas led, por exemplo, redução de deslocamento e como inserir a sustentabilidade na própria narrativa.

Celli coordenou e trabalhou na implementação da São Paulo Film Commission, a SPCine, e desenvolve uma consultoria para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD e Ministério da Economia para estimular a implementação de film commissions no Brasil. “É uma política de estímulo à economia, atração de investimento e geração de empregos. Filme friendly significa tornar a cidade, estado, região, o país, amigáveis ao setor, estimular o uso da cidade como cenário e consequentemente o turismo”.

Ele citou exemplo do cash rebate, política pública da cidade de São Paulo que vai incentivar filmagens nacionais e internacionais, reembolsando até 30% do valor gasto por produções que escolham a cidade como cenário. "Produções internacionais que talvez não viessem filmar passam a ver como uma possibilidade interessante, há infraestrutura de produção, estúdios, produtoras, expertise dos profissionais e cenários, gerando retorno econômico”

Ana Aizenberg, diretora executiva da Film Commission Argentina/INCAA, lembrou que a ideia inicial da rede argentina surgiu no FAM, há 11 anos. No país, desde 2016, cada província tem uma film commission, todas interligadas a uma federal. Cada província designa um responsável e todos os secretários de cultura estão envolvidos, retroalimentando um banco nacional de dados de infraestrutura, locações e profissionais.

“!Não vendemos o cenário, a neve, a montanha, não somos turismo, é preciso entender que o importante é trazer um negócio forte, de impacto econômico, não atrair só filmes e séries de grande porte, mas produções pequenas, que geram empŕegos locais, necessários devido à pandemia. Quando se trabalha conjuntamente com a estrutura, provedores e técnicos locais, podemos fazer uma mudança real nesses lugares”.

Luz Molina, da Promálaga, aceleradora de startups que compartilha boas práticas e metodologias para produções audiovisuais mais sustentáveis, falou sobre a Green Screen, iniciativa que atua em oito regiões da UE para padronizar as práticas ambientais e reduzir as emissões de CO2 das produções, iniciada na Espanha na Andalusia. A iniciativa tem um selo para as ecoproduções, compartilha metodologias e presta consultoria de sustentabilidade e redução de impacto das produções. “Mandamos uma mensagem potente, a sustentabilidade não é só ambiental, mas social, e esse círculo virtuoso leva a cuidar dos negócios locais, estimulando a zona, que vê que o resultado também fica ali. Uma das coisas fundamentais é medir o impacto, muitas vezes a produção não é consciente do impacto que um set tem e para isso elaboramos uma ferramenta uniforme a nível europeu que pode ser extrapolada para a América Latina”, disse.

Rachel do Valle, do Show Me the Fund, iniciativa do programa Cinema do Brasil, Brazilian Content e Projeto Paradiso que investiga fundos internacionais acessíveis aos produtores brasileiros, falou sobre a possibilidade de fazer uma edição específica da cartilha de fundos sobre incentivos verdes. Ela exemplificou com três fundos com informações disponíveis na plataforma www.showmethefund.co, um deles da Doc Society, para filmes que abordam a crise ambiental, com aporte de até US$ 100 mil.

Joaquim Serrano, da Campro, falou sobre a formação da film commission paraguaia e do incentivo para que as produções venham filmar no Paraguai, iniciativa que será divulgada no Iberseries Platino Industria, evento que está acontecendo na Espanha.

Selo EcoVision

O painel marcou o lançamento do Selo EcoVision, iniciativa da Associação Panvision, realizadora do FAM e baseada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, para valorizar as práticas ambientais nas etapas de desenvolvimento, pré-produção, produção e pós-produção.

Foi criado um grupo de trabalho formado pelas associações Campro, Asoprod, Apima e Bravi, de quatro países da região, e parceria da Floram e Floripa Film Commission. Segundo a diretora de Programação do FAM, Marilha Naccari, os próximos passos serão elaborar os critérios para a obtenção do selo, válido para toda a América Latina. Os produtores responderão uma pesquisa qualitativa, que vai fornecer os parâmetros para o selo. “Esta é uma forte ambição, porque é o que o mundo necessita, crescer de maneira respeitosa com o planeta, as pessoas e os nossos tempos”, considerou.

“Precisamos repensar as formas de produzir, sermos coerentes atrás das câmeras com o que fazemos, é uma prática muito replicável, capaz de ser difundida rapidamente”, considerou Noemi Noemi Fuhrer, da Apima. Para Mauro Garcia, da Bravi, “o EcoVision é mais que selo, é uma ação necessária socialmente, economicamente, a situação global quase nos impõe esta prática”.

Beatriz Kowalski, superintendente da Floram, a Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis, lembrou que é importante que todo tipo de atividade profissional, como a audiovisual, consiga adotar práticas sustentáveis. “Para isso estamos lançando o selo, e a cada produção audiovisual feita na cidade serão plantadas mudas de árvores”, anunciou. Conforme Marilha, o desejo futuro é constituir um parque do cinema, associando a espécie de árvore plantada ao nome do filme, unindo consciência ambiental e formação de público.

O 25º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Sebrae e é uma realização da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais.

O ECM+LAB 2021 é uma realização da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais, com apoio LatAm Cinema, Brasil Audiovisual Independente - BRAVI, Brazilian Content, Projeto Paradiso, Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais - APRO, Santacine, Floripa Film Commission, e faz parte do 25º Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 2021.
 

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