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Acesso a diferentes produções do Brasil e do mundo a partir do streaming

Juliana Brito, grupo Belas Artes e Belas Arte À La Carte e Tuago Santos
Juliana Brito, grupo Belas Artes e Belas Arte À La Carte e Tuago Santos

Totalmente atento à tendência do mercado audiovisual dos quatro cantos do planeta, o penúltimo dia do FAM 2021 contou com dois painéis sobre streaming. Afinal, se os serviços on-demand já estavam em uma crescente antes da pandemia de Covid-19, a chegada dela fez com que os acessos a conteúdos de entretenimento on-line aumentassem. O segundo painel do dia sobre o assunto, contou com Juliana Brito, diretora executiva do Belas Artes grupo e do Belas Arte À La Carte, Rafael Grendene gerente de produto da Box Brazil, e Yenny Alexandra Chaverra Gallego, coordenadora da plataforma digital de exibição gratuita de filmes, Retina Latina.

Com mediação da jornalista do portal Tela Viva, Mariana Toledo, e apresentação do diretor executivo do FAM, Tiago Santos, os participantes do painel concordaram que a volta dos cinemas, com todos os protocolos de higienização, será muito positiva para o mercado do audiovisual como um todo, sendo que essa volta não concorre com os produtos de streaming. Afinal, como pontuou Rafael, a experiência que acontece na sala de cinema não é substituída pelo conteúdo oferecido de forma on-demand.

Prova disso é a forma como surgiu o Belas Artes à La Carte, produto do Cine Belas Artes, cinema de rua muito conhecido em São Paulo, que tem inclusive um dos valores mais acessíveis entre as salas de cinema. Juliana contou que uma versão beta do produto foi criada no final de 2019 com 100 filmes clássicos, mas fora do circuito de clássicos mais conhecidos. De acordo com ela, por coincidência, o lançamento do “à La Carte”, como ele é atualmente, aconteceu em abril de 2020, pouco depois do início da pandemia e, até para dar um alento para as pessoas que estavam confinadas, decidiram fazer um primeiro momento de acesso gratuito, o que foi muito positivo, pois tiveram mais de um milhão de acessos apenas no primeiro mês.

“Um dos objetivos do Belas Artes, que foi reforçado com o à La Carte, é conseguir chegar em vários perfis de público e, com a possibilidade do streaming, essa intenção é ainda mais possível. Quando fizemos o lançamento, em abril de 2020, chegamos a cidadezinhas do interior que eu nem sabia que existiam", disse Juliana.

Com essa mesma intenção de chegar em cidades de um Brasil mais profundo, é que o Box Brazil Play surge como produto do Box Brazil. Rafael afirmou que o avanço da internet no País, fez a equipe entender que era o momento de criar a oportunidade para o público brasileiro voltar sua atenção às produções do próprio País. Por isso, o foco deles é exibir filmes, séries e produções brasileiras que acabavam ficando em stand by, esperando alguém dar oportunidades para o projeto, após passarem por alguns festivais.

Yenne, por sua vez, contou que a plataforma digital Retina Latina tem um formato de streaming mais parecido com o de festivais. Para começar, é um projeto público e surge como uma iniciativa de cooperação entre Bolívia, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai, tendo acesso gratuito em toda a América Latina e no Caribe. Sua implementação contou com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e, atualmente, tem o apoio do Fundo Internacional para a Diversidade Cultural da Unesco.

Segundo ela, a dinâmica de programação é a partir de temas mensais e a intenção é que o público discuta sobre eles. A plataforma tem diferentes parceiros, como o FAM e outros festivais da região. A curadoria das obras é feita dando preferência ao cinema feito em periferia, por jovens estudantes e por quem está começando na carreira.

Dar visibilidade para produtores, realizadores e distribuidores independentes é uma característica que essas três plataformas têm em comum e, apesar de cada uma ter seu modelo de negócio, as curadorias têm perfis diferentes.

Enquanto o “à La Carte” procura diversidade de títulos, temas, línguas, países, costumes e relevância, o Box Brazil Play tem duas formas de firmar parcerias: com projetos que já trabalham com a Box Brazil e projetos que ainda precisam entender qual seu modelo de negócios e que têm a oportunidade de apresentar sua ideia para a Deydrid Kaefer, coordenadora de operações do Box Brazil Play, que vai ajudar a entender se o conteúdo se adequa ao SVOD ou ao TVOD.

“As duas frentes de parcerias com a Box Brazil estão sempre abertas a realizadores e produtores independentes, porque somos aquele amigo que vai subir a escada e trocar a lâmpada, sabe?”, observou Rafael.

Com a missão de fomentar público para produções fora do circuito comercial, seja do Brasil, da América Latina e Caribe ou do mundo, os representantes das plataformas deixaram claro que têm um trabalho muito focado em produzir conteúdo para aproximar cada vez mais o público de formas diferentes de fazer produções audiovisuais, ampliando o leque cultural de quem assiste aos curtas, longas, séries, bem como aos debates e tantos outros formatos de conteúdo disponíveis a partir da internet com valores acessíveis ou, até mesmo, de forma gratuita.

Dando um spoiler do que vem por aí, Juliana contou que a ideia do Belas Artes à La Carte é seguir com a diversidade de apresentar para o público brasileiros produções de vários lugares do mundo e, ainda em 2021, estão preparando um festival de filmes japoneses.

Já Rafael contou que a plataforma segue separando os universos de filmes que existem dentro dela, dando um foco maior para os documentários brasileiros. Afinal, o Brasil é um dos grandes produtores de documentários, além de uma atenção especial às produções para o público infantojuvenil, que já vem com uma demanda de entretenimento para além da TV.

Yenne disse que os próximos planos envolvem ampliar a participação do Brasil na plataforma, fazendo parcerias com governos locais e fortalecendo os laços de colaboração. “O Brasil é o quarto país que ingressa na plataforma e, por isso, estamos muito abertos para uma colaboração mais ativa de vocês”, finalizou.

Mariana agradeceu a participação e presença de todos e brincou que precisou se conter para não continuar conversando sobre o tema, que é um dos preferidos dela, ainda mais sendo um painel do FAM, um evento que ela acompanha há anos e segue resistindo por tanto tempo.

Tiago finalizou o painel convidando todos a continuarem acompanhando a programação do FAM 2021 que segue até quarta-feira (29) com mais debates, painéis, exibições e a premiação dos vencedores das oito Mostras Competitivas.
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