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Streaming e convergência de conteúdos foram tema de painel no FAM

Foto Daniel Guilhamet
Foto Daniel Guilhamet

Dois painéis com o tema streaming estão na programação do 5º Encontro de Coprodução do Mercosul deste ano no FAM 2021. O primeiro deles, nesta terça, teve a presença de Gustavo Castro (chefe de Conteúdo da Telefónica/Espanha), Mireia Ramon (gerente de Desenvolvimento de Negócios LatAm - Telefónica Espanha) e Antonio Augusto Valente (gerente de estratégia de conteúdo da Globoplay), com mediação de Mauro Garcia, conselheiro do ECM+LAB e presidente da BRAVI, que reúne 675 empresas do audiovisual independente no Brasil.

Streaming é uma questão cada vez mais relevante, cuja regulação no Brasil está em curso e com novos players competindo no mercado mundial, criando plataformas proprietárias. Mireia Ramon, falando de Madri, observou que a Telefónica trabalha de maneira convergente com o que chama de 4 play, televisão, banda fixa, banda móvel e a telefonia física. Nos últimos anos vem agregando plataformas de streaming, com destaque para a Movistar+, presente em países como Espanha, Peru, Colômbia e Chile. “Na Movistar+ ofertamos entretenimento com filmes e séries de produção própria e coproduções, exportadas globalmente, canais de esporte e direitos de exibição esportivos. Buscamos enriquecer nosso catálogo on demand, todos os operadores oferecem conteúdo a nível global e também com sabor local”.

Conforme Gustavo Castro, a estratégia da Telefónica de negócios depende de cada país. “As questões regulatórias e de mercado variam muito. Um ano antes da pandemia tínhamos um modelo para a América Latina de superagregação da TV, on demand e plataforma de streaming. Começa a desaparecer essa fronteira, a realidade é uma só experiência de conectividade e conteúdo”, considerou.

Quando se trata de produções independentes, a Telefónica participa de festivais e mercados, e há uma equipe que busca novos talentos e seleciona propostas para conteúdos já realizados, que são adquiridos em pacotes através de distribuidoras. “O primeiro objetivo é que o conteúdo viaje por toda a região, tenha uma temática universal, como temas femininos, ecologia ou mesmo a temática narcos, com personagens conhecidos”. A Movistar+ tem apostado também no formato de curta-metragem para segmentos mais jovens, que assistem no celular, e conteúdos que possam viralizar.

Para Valente, da Globoplay, todas as empresas estão passando pelo dilema de conciliar negócios lucrativos da TV paga e aberta com a migração para o streaming. “No mundo inteiro vemos o hábito do consumidor mudando muito pra on demand. Por enquanto são complementares, mas a indústria vem mudando muito nos últimos anos, o jogo se tornou global, existe uma competição pelo público brasileiro”.

A Globoplay, com 19 canais ao vivo e on demand. trabalha com o termo all-in-one, em que o usuário monta sua grade unindo sinal ao vivo, podcasts, séries, filmes e reality shows. Outro exemplo são as novelas, hoje em três modalidades, as que estão no ar, 37 títulos resgatados do acervo e como novidade este ano, mais de 20 novelas internacionais contratadas.

Séries de ficção e não ficção são o principal ativo na guerra dos streamings, segundo ele, produzidas pelos Estúdios Globo ou coproduções. “Teremos muitos lançamentos originais em 2022, são produções que foram paralisadas pela pandemia, e licenciamentos, lançamentos exclusivos e produtos consagrados já exibidos”. Além disso, a Globoplay oferece as minisséries premium, uma curadoria de séries de mais de 20 países, espaço para experimentações e produtos mais ousados esteticamente e curadoria de sete décadas com 50 filmes nacionais.

Ele lembra que produzir novos conteúdos está mais caro, grandes players fazem investimentos maiores, o protocolo da Covid ajudou a encarecer e os talentos estão mais disputados. “Antes tínhamos todos os talentos contratados, hoje contratamos por obra, existe o desafio de escalar, produzir volume suficiente para ter conteúdo novo e reter assinantes que não estão dispostos a pagar mais do que 50,00 a 60,00 reais por mês”.

Na Globo, há uma área específica que monitora novos talentos. “Na minha área de aquisições, vejo que vivemos um momento muito propício para quem é roteirista e diretor. Apesar das dificuldades de incentivo público, os talentos estão sendo muito disputados, assistimos muitos festivais independentes, estamos atentos a talentos e a dar chance para que se desenvolvam”. A ficção continua sendo a prioridade estratégica da emissora. “Gosto de conteúdo que tenha visual autoral, tenha originalidade mas que não deixe de ter um apelo popular, a narrativa precisa engajar”, finalizou.

O 25º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Sebrae e é uma realização da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais.
O ECM+LAB 2021 é uma realização da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais, com apoio LatAm Cinema, Brasil Audiovisual Independente - BRAVI, Brazilian Content, Projeto Paradiso, Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais - APRO, Santacine, Floripa Film Commission, e faz parte do 25º Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 2021.

 



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