Entrevistas

Documentário será exibido no último dia do FAM

Foto: Eduardo Lopes
Foto: Eduardo Lopes

Lícia Brancher é produtora executiva na Contraponto Multimeios e dirigiu o documentário “As quatro estações”, obra que relata a história de um menino que vive no interior, conectado ao mundo moderno e a natureza, Luiz Roberto, de 13 anos ensina o equilíbrio das coisas essenciais.

O documentário será exibido terça-feira, dia 01 de setembro na sessão das 9h, 14h e 15h no Cine Show Beiramar.


FAM - Quais motivações te levaram a ter essa ideia para o documentário? Quais foram as dificuldades e as facilidades dessa produção?

Lícia Brancher - A infância do meio rural é pouco retratada nas produções audiovisuais brasileiras. Sempre me interessou o audiovisual como uma janela para os mundos diversos, as diversas realidades, vidas e culturas. Possibilitar que as demais crianças conheçam a vida de um menino que vive no campo e também proporcionar àquelas que vivem nesse lugar, em propriedades familiares e nos pequenos municípios do interior, se enxergarem na tela, buscar essas identificações e também descobrimentos, foi talvez a minha maior motivação.

A maior dificuldade foi conseguir os recursos em tempo de fazer o documentário sobre esse menino - e só foi possível através do Prêmio Catarinense de Cinema, nosso maior incentivo à produção audiovisual no Estado. Este projeto nasceu alguns anos antes de ser filmado, pelo menos uns 4 anos, e se demorasse mais um ano, já não seria a mesma proposta, o menino deixaria de ser criança, e aí já seria outra história.

Já as facilidades, em primeiro lugar, formar uma equipe afinada e sensível à proposta da produção do documentário, ou seja, "entrar" na vida dessa família e desse garoto, integrando-se a rotina deles e à vida no campo. A equipe tem que viver isso junto, e criar um entrosamento com as pessoas e o meio ambiente, isso é fundamental para fluir o trabalho. Em segundo, e tão importante quanto, foi a receptividade do Luiz Roberto e da família dele, que nos acolheram em sua casa e nos permitiram registrar a vida e o trabalho deles.
 

FAM - A história cita a vida do protagonista que apesar de conectado com a modernidade também está ligado com a natureza que muda a cada estação. Porque a escolha por esse título?

Lícia Brancher - A vida no meio rural é marcada pelas estações. Quem produz alimentos, quem vive da agricultura, depende do sol, da chuva, do frio, do calor... cada estação tem um cultivo diferente, uma produção ligada aquela época do ano. Especialmente aqui na Região Sul, em que as quatro estações são bem marcadas. Então, a ideia era registrar a passagem do tempo na propriedade e as mudanças na rotina do Luiz Roberto, era uma forma também de acompanhá-lo num período de tempo maior, distribuído ao longo do ano. Um ano é muito significativo e traz muitas mudanças, quando somos crianças.

FAM - Qual o impacto você espera que esse documentário tenha nas pessoas que vão assistir?

Lícia Brancher - Eu espero que as pessoas vejam a riqueza do meio rural, da agricultura familiar, daqueles que produzem o alimento que chega na nossa mesa. A família do Luiz Roberto produz de forma agroecológica, eles não usam nenhum tipo de agrotóxico nem de adubo químico, e tem uma relação muito especial com a terra e com a natureza. A relação entre eles, toda a família, é algo que chama a atenção também. Diferente da cidade, na agricultura familiar, as pessoas convivem mais entre si, pois a casa, a propriedade, e portanto, o trabalho, em muitos casos - como no documentário - estão no mesmo lugar. Então pais e filhos, irmãos, todos se envolvem nas atividades da propriedade, e isso é algo diverso de muitas famílias do meio urbano.

FAM - Em que momento surgiu a oportunidade e a vontade para dirigir o documentário?

Lícia Brancher - Eu sempre tive proximidade com essa temática, conheço a região das Encostas da Serra Geral há muitos anos, já realizamos outros filmes e projetos ali, inclusive um documentário sobre a produção de alimentos orgânicos no país, intitulado Brasil Orgânico, e que foi um dos primeiros documentários a tratar desse tema de forma abrangente, há 7 anos. Me interesso por pessoas e suas histórias, e pelos contextos diversos de cada um, e tenho uma ligação especial com o universo infantil, uma criança sempre explica e entende o mundo da melhor maneira.


FAM - Como foram escolhidas os atores que participaram do documentário?


Lícia Brancher - O documentário já nasceu com o Luiz Roberto como protagonista. Ele sempre foi uma criança muito especial, um menino expressivo e com um protagonismo na vida mesmo. As demais crianças são as que fazem parte da vida dele, vizinhos de propriedade e que convivem no dia a dia, nas brincadeiras e na escola.

FAM - É sua primeira vez participando do FAM? Que importância você acha que esse evento tem?


Lícia Brancher - Participo do FAM há muitos anos, como produtora de diversos filmes que foram exibidos no festival, grande parte da nossa produção passou pelo FAM, e isso muito nos orgulha. Também já fiz parte do júri do FAM, na categoria de documentários, uma experiência muito rica: assistir, refletir e debater os filmes com os colegas do júri, é uma oportunidade de ampliar o próprio olhar e enxergar pelo ponto de vista do outro.

Para mim esse é um evento fundamental para a cultura e o cinema catarinense. O FAM traz para o público a possibilidade de acesso às diversas cinematografias e às produções catarinense, brasileira e latino-americana. Um festival de cinema que chega aos 23 anos carrega consigo a força de ter contribuído para a formação audiovisual de muita gente - e isso, por si só, é motivo de respeito e reconhecimento ao FAM.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.




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