Entrevistas

Emoção e casa cheia na estreia de Pacarrete no FAM 2019

Marcélia Cartaxo, Allan Deberton e Ariadne Mazzetti na estreia
Marcélia Cartaxo, Allan Deberton e Ariadne Mazzetti na estreia

Com a presença do diretor Allan Deberton, da atriz principal do filme Marcélia Cartaxo e da produtora executiva Ariadne Mazzetti, Pacarrete fez sua estreia catarinense no Florianópolis Audiovisual Mercosul 2019 – FAM 2019 ontem (01/10) com casa cheia. Muito emocionados e felizes com a repercussão do longa-metragem, que venceu a 47ª edição do Festival de Gramado, Deberton, Cartaxo e Mazzetti abriram a sessão agradecendo ao público e lembrando que o filme foi patrocinado por um edital de baixo orçamento do extinto Ministério da Cultura. “O que vocês vão ver hoje faz a gente refletir sobre a importância das políticas culturais e sobre a necessidade de mantermos essas linhas e que surjam outras para que possamos continuar fazendo filmes e para que o cinema brasileiro persista e brilhe cada vez mais”, disse Deberton.

Pacarrete conta a história de uma bailarina nascida no interior, que constrói sua carreira artística na cidade grande. Já mais velha, ao voltar para o interior para cuidar da irmã doente, Pacarrete encontra rejeição e solidão. Com muitas cenas engraçadas, esse primeiro longa-metragem de Allan Deberton é também um filme sensível e profundo, que traz uma reflexão sobre a valorização do artista e de sua arte, especialmente quando mais velhos.

Marcélia Cartaxo também está no FAM 2019 com o clássico A Hora da Estrela, filme que garantiu à atriz o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlin, em 1986.

FAM – O que te traz a Florianópolis hoje?

Marcélia Cartaxo – Hoje vai ser muito lindo, por que é a primeira vez que a gente vez que a gente no FAM. Eu estou super feliz com o que eu to vendo aqui, que vai ter casa cheia e que as pessoas vieram ver o nosso filme. Pacarrete é lindo! Fala da história de uma bailarina excêntrica e resistente em sua luta. Ela volta pra cidade do interior pra cuidar da irmã dela e ela é rejeitada na cidade. Mas ela resiste e isso nos faz dialogar com a nossa própria arte.

FAM - Porque você acha que o filme tem feito tanto sucesso?

MC – Por que o filme é muito emocionante e dialoga também com a questão da mulher mais velha, com a sua arte. As pessoas se identificam muito com ela, por ela ser de uma cidade do interior. A gente está resistindo a tudo isso e eu acho que o filme dialoga com a nossa arte, com a nossa história como mulher. Eu estou muito emocionada, por que a gente vem de outros encontros fortes, tem recebido muitos prêmios e eu to muito feliz com tudo isso.

FAM – Qual a sensação de assistir mais uma vez Pacarrete nas telas do cinema e com casa cheia?

MC – Essa é a quarta vez que eu assisto, mas cada vez eu vou ficando mais nervosa. Em cada sessão a gente vai ficando mais sentida, por que cada vez mais a história vai entrando e você vai percebendo coisas, detalhes... A gente dialoga com os artistas, principalmente o artista quando vai ficando mais envelhecido, necessitando mais de apoio, de carinho, de que a arte dele seja presente.

FAM – O filme demandou muita preparação para viver este personagem, certo?

MC – Sim. Eu tive uma dublê também, mas eu tive aprender toda a coreografia, tive que ficar nas pontas, exigiu muito de mim esse personagem. Tive que aprender um pouco de francês, tive que aprender a tocar um pouco de piano também, a ouvir também mais o clássico e foi muito bom, por que é um desafio muito grande e importante pra gente, pra não ficar muito naquela zona de conforto. E tem sido uma experiência incrível.

FAM – Apesar de ser um filme com muitas cenas engraçadas, ele é um filme fala muito de solidão...

MC – Isso. Ele fala muito realmente da solidão, dos momentos difíceis da gente. Todos nós temos os nossos altos e baixos na vida e a Pacarrete vem enfrentando essas coisas. Quando ela perdeu a irmã, ela ficou catatônica, não conseguia reagir. E tinha a Maria, que vinha e dava um apoio, que cuidava dela...

FAM – Qual foi a lição que a Pacarrete deixou para a Marcélia?

MC – Resistência. Pacarrete resistiu em sua arte. Ela enfrentou todos os desafios que vieram pela frente. Até realmente o de voltar pro interior. Esse foi o maior desafio dela. Quem mora numa cidade de interior e vai pra uma cidade grande... que consegue fazer todo seu trabalho, dar o seu recado, se dedicar à arte, se dedicar ao seu ofício... quando ela volta, ela tem esse desafio muito grande, então ela perde o chão. Por que volta pra cidade do interior e não tem aquela coisa que ela gostaria de ter, o espaço dela, o palco...

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.




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