Entrevistas

Cássia Valle, movimento e música para estimular a escrita

Foto: Daniel Guilhamet
Foto: Daniel Guilhamet

A escritora, atriz e museóloga Cássia Valle deu uma oficina de escrita criativa no FAM durante dois dias, além de lançar seu livro Calu, uma menina cheia de histórias, vencedor do Prêmio APCA 2017. Ela participa do Grrupo de Teatro Olodum, que deu origem a atrizes e atores negreos, como Lázaro Ramos.

FAM - Qual o papel das dinâmicas que você usa em sua oficina?

Cássia Valle - A escrita não é só lápis, caneta, computador, tem muitos outros estímulos, acredito que a vida tem várias formas de ser escrita. Não existe receita para estimular a criatividade, eles vão descobrir que essa receita está neles mesmos. Como sou atriz junto também muita coisa do teatro.

FAM - Qual sua relação com o Grupo de Teatro Olodum?

CV - Vou fazer 30 anos de teatro com eles. O Bando é um celeiro de revelação, uma escola, aprendemos além da arte cênica sobre a nossa identidade, sobre a arte negra. O Bando criou uma estética hoje específica, uma metodologia nossa, todo o Bando têm que saber tocar, dançar, interpretar e pensando numa leitura que está na memória, não se pode pensar em arte negra sem movimento e música.

FAM - E como é o seu livro?

CV - Calu foi uma surpresa tão grande, é o resultado do meu mestrado, eu e Luciana Palmeira, que escreveu comigo, somos amigas, fizemos um mestrado. Eu chegava em algumas comunidades e perguntava: “se você tivesse um museu o que você traria?” Vieram coisas lindas, como o doce de leite da minha avó, a forma de fazer rede daquela comunidade de pescadores. A menina Calu mora numa ilha chamada Boca do Rio. O livro entra em um encantamento, o museu é onde se vê, se sente, tem cheiro, as pessoas se reencontram, se conhecem, abrem suas portas, é uma metáfora do que eu acredito que o museu tem que ser.

Gosto do patrimônio material também e ainda por cima no livro tem protagonismo negro, uma criança negra que conta a história dela o tempo todo. Eu não disse hora nenhuma que queria a Calu negra, foi a ilustradora que desenhou, quando ela leu. Fiz uma oficina e o segundo livro, que é um bloquinho com canções e poemas da Calu, que virou espetáculo também.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.




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