Entrevistas

Produção com dispositivos móveis: é preciso reinventar a forma de fazer conteúdo

Romero trouxe um histórico da evolução da produção de conteúdo
Romero trouxe um histórico da evolução da produção de conteúdo

Durante a oficina sobre produção de conteúdo com dispositivos móveis, o jornalista argentino Sérgio Romero trouxe um panorama histórico da evolução da produção de conteúdo e apresentou um estudo sobre o comportamento do consumidor multiplataforma, realizado pelo Google. Romero também mostrou quais os acessórios indispensáveis para aqueles que desejam produzir conteúdos a partir de dispositivos móveis e depois seguiu para a parte prática da oficina, com orientações e dicas. A oficina faz parte da programação do Fórum Audiovisual Mercosul 2019 e será ministrada mais uma vez na quarta, dia 2 de outubro. As inscrições já estavam encerradas, mas foram disponibilizadas algumas vagas extras na plataforma Sympla.

Ao trazer o panorama histórico, Romero explica que o conteúdo nasceu linear e em meio único, mas que hoje já se configura como transmídia e multiplataforma, e que o desafio agora está em como produzir o conteúdo de forma que ele se encaixe nas múltiplas plataformas e em como chegar ao público que queremos atingir. “Hoje, para vender uma marca, temos que construir uma narrativa e não mais só mostrar essa marca para o público”, diz o jornalista. Além disso, de acordo com o estudo feito pelo Google, hoje o consumidor de conteúdo utiliza em média três telas por dia, muitas vezes de forma simultânea, e faz cerca de 850 consultas por dia ao dispositivo móvel. O estudo mostrou também que o contexto (tempo disponível, lugar em que se encontra e até a atitude e o estado de ânimo) influencia na escolha do dispositivo para consumo de conteúdo. “Se o consumo é onipresente, o conteúdo também deve ser”, coloca Romero.

Entre os acessórios considerados essenciais para se conseguir um bom material produzido com dispositivos móveis, de acordo com Romero, estão um selfie stick, um mini tripé, um microfone (além do já disponível no dispositivo), um power bank (carregador móvel), cabos de conexão e um bom estabilizador (gimbal).

Nesta entrevista concedida à equipe do FAM, Romero fala sobre a oficina, mas também sobre a importância do Festival, que tornou possível uma parceria de coprodução para um de seus projetos na edição de 2018.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

FAM – O que as participantes podem esperar dessa oficina?

Sergio Romero – Essa é uma apresentação compacta do curso que eu ministro normalmente, em que convidamos as pessoas a utilizar as tecnologias que elas dispõem, como os celulares, para repensar o conteúdo. Ou seja, não para tentar fazer com o celular o que elas fazem com a câmera, mas procurar outra opção de documentário de acordo com as ferramentas que elas têm. Sobretudo por que hoje o documentário passa por uma crise de tela, onde os telefones permitem gravar, reproduzir e emitir na hora para logo depois gerar outro tipos de conteúdos. O enfoque transmídia traz a possibilidade de fazer esse conteúdo chegar para muita gente.

FAM – Então, você não acha que é possível substituir a câmera?

SR – É possível. Se você quiser fazer, pode, mas eu acho que isso não é o que mais importa. O que mais importa é procurar por novos formatos, novas narrativas, que cheguem para as pessoas através de outras plataformas que não sejam tradicionalmente o cinema e a televisão, e que utilizam basicamente a internet.

FAM – E para quem que é direcionada essa oficina?

SR – Eu ministro esse curso já faz muitos anos. Ele é do interesse de comunicadores, não só jornalistas, mas também do pessoal que trabalha nos movimentos sociais. É do interesse de documentaristas que percebem que devem chegar com o seu conteúdo além da sala de cinema. E ele é do interesse do pessoal da TV, por que o sistema de notícias já começou a usar essa tecnologia.

FAM – Você acha que, principalmente para o jornalismo e para a comunicação, o dispositivo móvel se torna uma ferramenta poderosa?

SR – Sim. E é voltar, de certa forma. Eu sou documentarista e me proponho, com esse curso, a tentar juntar novamente juntar esses dois terrenos que se separaram um pouco nas últimas décadas, certo? O documentário na sala e o que a gente considera documentário dentro do âmbito da comunicação e do jornalismo.

Poder uni-las, poder compreender que a gente pode trabalhar com essas tecnologias fazendo coisas de hoje para hoje e de hoje para daqui a seis meses.

FAM – É a sua primeira vez no FAM?

SR – Não, é a segunda. Ano passado eu vim para o Encontro de Coprodução Mercosul (ECM) com um projeto e fiz contato. E, por isso, estou de novo aqui com outro projeto no ECM e ministrando esse curso.

FAM – Também está com um projeto no ECM?

SR – Sim, sim. Estamos com um projeto de série que está em desenvolvimento. Um projeto que acontece nas três fronteiras: Paraguai, Brasil e Argentina.

FAM – E o que você acha desse festival que se propõe a trazer um olhar para as produções do Mercosul?

SR – Eu entendo que é muito valioso esse espaço. Eu moro em Mendoza, no oeste da Argentina, que fica muito próximo do Chile, mas a estrutura dos Andes faz com que a fronteira apareça mais. Ao contrário do FAM, onde a gente discute e fala com pessoas do Rio, mas também do sul, fala com o pessoal do norte do país, que para nós é muito longe, fala com gente do Paraguai de um jeito mais fácil, mais próximo... e isso permite também compreender que tem que se fazer projetos deste tipo. Por isso, nós trazemos um projeto que tem a ver com a nossa fronteira.

FAM – No ano passado, o FAM abriu portas para o projeto que você trouxe?

SR – Sim, sim.  Eu tenho a sensação, porque já tinha ido ao Rio Content Market e encontrado com os mesmos players, que aqui eles estavam mais relaxados, mais próximos.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.




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