Entrevistas

Gosto de ter meus filmes identificados como latino-americanos

Emiliano Grieco, cineasta argentino, estreia como jurado no FAM 2019
Emiliano Grieco, cineasta argentino, estreia como jurado no FAM 2019

Pela primeira vez no FAM, o cineasta argentino Emiliano Grieco vibra com a oportunidade de apresentar seu mais recente longa-metragem, El Rocío, para o público brasileiro e com sua estreia como jurado de mostras Work In Progress (WIP), em que projetos ainda em fase de pós-produção são exibidos e recebem o retorno do público presente e de players de mercado.

Os filmes da mostra WIP estão sendo exibidos na sala Gold do complexo Cine Show do Beiramar Shopping. Os ingressos podem ser adquiridos no site www.ingresso.com ou diretamente na bilheteria do cinema.

El Rocío conta a história de Sara, que vive com sua filha na zona rural de Entre Ríos, na Argentina, onde impera a cultura de soja. Quando sua filha adoece por conta dos agrotóxicos utilizados na lavoura, Sara é orientada por um médico a ir a Buenos Aires em busca de tratamento para a filha Olívia. Sem recursos para a viagem, ela recorre a um traficante e aceita servir de mula para transportar drogas até a capital.

Este é o terceiro longa do diretor Grieco. O anterior, La Huella en la Niebla (2014), ganhou o prêmio de melhor ficção do TIFF Torino Film Festival, na Itália.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

FAM – Como surgiu a ideia de fazer um filme trata de dois temas tão importantes, que são o uso de agrotóxicos nas plantações e o tráfico de drogas?

Emiliano Grieco – Surgiu quando comecei a fazer um documentário sobre uma mulher que teve uma filha que adoeceu por conta do uso de agrotóxicos. Ela tinha um problema nos pulmões. Assim começou a ideia, porém depois o projeto de documentário acabou ficando de lado e a ficção começou a ser criada. Aos poucos, comecei a perceber que em outros lugares acontecia a mesma coisa e muitas vezes as pessoas não tinham recursos e acabavam recorrendo ao tráfico. Assim uma coisa acabou levando à outra. Na Argentina, há cada vez menos trabalho no campo, já que as produções com grandes máquinas tomam tudo, e há também a produção de soja em larga escala. Desses pontos surgiu a ideia, mais fortalecida, para construir uma ficção. O documentário que realizamos para a Universidade do Litoral, em Santa Fé, ficou limitado ao caso dessa mulher, porém eu queria seguir pesquisando.

FAM – Qual sua expectativa para a exibição do filme aqui no FAM?

EG – Não tenho muita expectativa, pois para mim estar aqui já é incrível, mas espero que as pessoas gostem do filme. Que pensem que é um bom filme. Esse é o meu objetivo.

FAM – O filme já foi lançado comercialmente na Argentina? Já foi apresentado em alguns festivais?

EG – Não foi lançado comercialmente ainda. Estamos planejando a estréia comercial para o dia 24 de outubro em Buenos Aires, mas ele já esteve no Festival de Mar del Plata, no Festival de Canárias, no México também e em diferentes festivais na Argentina.

FAM – E como está sendo a recepção do público?

EG – Boa! Bom, é uma história bastante triste, é um drama, então não é nada alegre para que desperte uma recepção calorosa no público. Porém, sempre há muito debate sobre o tema, sempre há perguntas de pessoas que passam por algo similar ou que notam que é um modelo que acontece em diferentes partes do mundo.

FAM – E o que você acha de um festival como o FAM, que lança um olhar sobre as produções do Mercosul?

EG – Eu gosto, pois nos ajuda muito. Eu gosto de fazer um cinema que seja identificado como latino-americano. Então, quando acontecem festivais assim eu fico feliz. É como se eu atingisse um objetivo pessoal. Em Mar del Plata, por exemplo, meu filme esteve na Mostra Latino-Americana. Eu acho importante nós, aqui no Brasil, no Perú ou em qualquer lugar da América Latina, possamos contar as nossas próprias histórias, pois assim conseguimos contar o que acontece ao nosso redor. Eu não sei se poderia contar muito bem o que acontece na selva. É melhor que alguém daqui fale sobre o que acontece na Amazônia ou no Rio de Janeiro, ao invés de ser alguém da Europa ou de qualquer outro lugar. Gosto que isso seja reconhecido. É como uma felicidade dupla.

FAM – Você já teve a oportunidade de ver algum filme aqui no FAM?

EG – Ontem assisti o filme da Natural Arpajour (cinesta argentina) e também os curtas que foram exibidos antes do filme dela. São muito interessantes, sobre povos originários de diferentes lugares do Brasil.

FAM – Você vai ser jurado da mostra Work in Progress, certo? O que acha disso? Você já participou de alguma mostra WIP?

EG – Isso! Eu estou muito feliz por terem me chamado para fazer isso. São projetos latino-americanos que, obviamente, me interessam muito. Mas essa é minha primeira vez no júri, sempre estive do outro lado, fazendo pitch e outras coisas, então tomara que eu possa dar um bom retorno para eles.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.




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