Entrevistas

Antonella Costa: cinema independente se faz com paixão

Antonella Costa em palestra sobre atuação - Foto: Daniel Guilhamet
Antonella Costa em palestra sobre atuação - Foto: Daniel Guilhamet

A atriz italiana Antonella Costa, de filmes como Diários de Motocicleta, Garagem Olimpo (pelo qual recebeu o Globo de Ouro como Atriz Revelação em Roma), O vento (prêmio de Melhor Atriz em Havana), deu uma palestra sobre atuação no FAM 2019 neste sábado. Ao todo, sua carreira, desenvolvida principalmente na Argentina, onde vive, tem mais de 30 filmes, séries de TV e peças teatrais. A palestra foi aberta ao público, mas especialmente aos participantes do Rally Universitário.

FAM - O que acha dessa ideia do Rally de unir estudantes de várias partes da América Latina? No que irá focar na sua palestra?

Antonella Costa - É uma iniciativa fundamental para o amor pelo cinema surgir nas pessoas mais jovens. Comecei a trabalhar muito cedo, com 11 anos, e no cinema com 18 anos. Aprendi a falar português para convencer o Lázaro Ramos a fazer um filme comigo, fiquei um mês estudando português para falar com ele (O Cobrador, de 2006, com Peter Fonda também no elenco), quer dizer, é uma atividade cheia de paixão, se não tem paixão por ela, não pode fazer. É muito difícil no contexto como o que a gente tem aqui na América Latina, onde não se tem dinheiro, então não se consegue fazer cinema se não tem paixão, é isso que eu gostaria de passar para o Rally, fazer eles enxergarem o ponto de vista do intérprete. A personagem é o primeiro espectador do universo proposto pelo realizador.

FAM - Este ano o FAM foi para um cinema comercial, num shopping. Como vê essa oportunidade de assistir filmes da América Latina em um espaço como esse?

Antonella Costa - Estou acostumada porque na Argentina somos muito de invadir os espaços comerciais com cinema independente, no Bafici, e em outros festivais em Buenos Aires, então estou acostumada, acho sempre bom. É até indispensável, porque o cinema comercial se alimenta também do cinema independente. No Oscar deste ano entraram propostas de cinco anos do cinema independente no mundo, então é isso, temos que fazer cinema independente, temos que experimentar, é uma arte nova que tem um pouco mais de 100 anos. Pode imaginar os músicos com 100 anos de música dizendo “ok garotos, vamos parar por aqui porque já está tudo inventado, então vamos só copiar aquilo que a gente já tem”. É absurdo, não é assim, temos que experimentar coisas novas, é de experiências assim que nascem aquelas novas ideias do cinema.

FAM - Você desenvolveu algumas técnicas de atuação e é nisso que vai focar no Rally?

Antonella Costa - Trabalho há 20 anos no cinema, já fiz mais de 30 filmes, 20 como protagonista. Dessas experiências, das minhas leituras, da interpretação e também das coisas que eu aprendi olhando meus colegas, desenvolvi não diria uma técnica, cada intérprete tem as suas, mas vou dar algumas dicas para os intérprete que precisam enfrentar imprevistos, o cinema é assim. Tem jeitos de ficar calmo, ser criativo, natural, original e sensível, dócil e atento, são as coisas mais importantes. Não é fácil, é uma atividade que precisa de paixão, e que também se pode exercitar.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do BRDE, FSA, Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

 




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