Entrevistas

“É maravilhoso que se construam espaços como o FAM”, por Sonia Barrera

Sonia Barrera, produtora executiva do filme El Arból Rojo
Sonia Barrera, produtora executiva do filme El Arból Rojo

El Árbol Rojo, longa-metragem de ficção dirigido por Joan Gómez Endara, é uma produção colombiana que se encontra em fase de pós-produção e chega ao Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 2019 para a estreante mostra competitiva Work In Progress. O filme conta a história de Eliècer que, após a morte de seu pai, fica responsável por levar sua meia-irmã Esperanza à capital em busca da mãe.

No Festival, o filme será representado pela produtora Sonia Barrera, que conversou com nossa equipe sobre aspectos do projeto, a relação com o diretor, a importância do FAM e o cenário do mercado audiovisual colombiano.

El Árbol Rojo será exibido na sala VIP do complexo Cine Show do Beiramar Shopping no dia 01 de outubro, às 20h15, e os ingressos podem ser adquiridos pelo site www.ingresso.com ou na bilheteria do cinema.

Sobre a WIP
A mostra WIP é a grande novidade do Encontro de Coprodução do Mercosul de 2019, que pela primeira vez trará para o público do Festival obras ainda em fase de pós-produção. Após a exibição de cada filme, o Instituto de Pesquisa Boca a Boca irá realizar um teste de audiência com o público presente. Os resultados serão apresentados posteriormente às produtoras e ajudarão a trazer o olhar do espectador sobre a obra, permitindo uma reflexão sobre possíveis mudanças, cortes e adaptações antes da finalização do projeto.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

O ECM 2019 é uma produção da Associação Cultural Panvision, Petrus Barretto Advogados Associados e Muringa Produções Audiovisuais, com apoio institucional BRAVI - Brasil Audiovisual Independente, Instituto de Pesquisa Boca a Boca e Latam Cinema.

FAM – El Árbol Rojo nasce de histórias reais e trata sobre relações familiares complicadas e de diferenças sociais. Como surgiu a oportunidade de produzir o filme? E qual é a sua importância?

Sonia Barrera – A oportunidade de produzir começou quando coprodutores como Mass Media do Panamá se encontraram em Cartagena no FICCI com o diretor e roteirista Joan Gómez. Nesse encontro, coincidiram as intenções de contar histórias próximas da cultura do Caribe. Depois de escutarem muitos pitchies de diferentes projetos, decidiram apostar em no nosso por meio da Ibermedia. Foi assim que conseguimos o fundo de produção. A partir daí, o projeto foi se fortalecendo e Viso Producciones da Colômbia encontrou um roteiro que os atraiu pela sua narrativa e pela forma como é contada uma história íntima e, ao mesmo tempo, universal, em um contexto latino-americano.

FAM - Como foi trabalhar com o diretor Joan Gómez Endara?

SB – Desde que entrei neste projeto, o trabalho com Joan tem sido um trabalho em equipe. Joan sempre foi muito claro a respeito do que buscava encontrar em cada aspecto da produção e estava ciente das limitações que tínhamos, o que permitiu que fluíssem muito bem os desenhos e as decisões de cada área de trabalho. Foi igualmente fundamental a confiança que ele depositou na experiência que cada pessoa da equipe possuía.

FAM – O filme é uma coprodução entre Colômbia, Panamá e França, você poderia destacar alguns aspectos dessa associação?

SB – Tenho que deixar claro que In Vivo Filmes da França foi um bom aliado deste projeto e até o momento continua na busca de recursos que permitam confirmação da coprodução, contudo, apesar de ter sido divulgado em algumas publicações, não podemos assegurar que esteja confirmada.

Com a Mass Media do Panamá tem sido um trabalho em parceria muito bom, de muito respeito pela visão do autor e com total disposição de contribuir com seus meios essa criação. Isso permitiu conseguir recursos da ibermedia, mas é uma lástima que o Panamá não tenha fundos minoritários que facilitem ainda mais esse tipo de acordo de coprodução.

FAM – Quão importante é ter o filme selecionado para a mostra Work In Progress do FAM 2019, qual a sua expectativa?

SB – Para nós, estar participando do FAM é a oportunidade de poder ter um bom teste do corte que temos no filme e a oportunidade de ter uma leitura aproximada da interpretação do material por parte de um público diferente do colombiano, mas igualmente próximo pelo que nos une enquanto latino-americanos. Por outro lado, é também a oportunidade de dar um passo a mais para poder concluir nosso filme e encontrar agentes de vendas e distribuidores.

FAM – Como você vê a esta oportunidade de mostrar ao público um projeto que se encontra na fase de pós-produção?

SB – É uma grande oportunidade apresentar este corte à indústria e ao público geral, o que nos gera uma inquietação em relação ao recebimento e à conexão que o espectador possa ter com a história, já que será um público tão variado. Sem dúvidas, o feedback será muito importante para terminar a etapa de montagem.

FAM – É a sua primeira vez no FAM? Qual a sua opinião sobre um festival que tem como objetivo dar um panorama das produções do Mercosul?

SB – É maravilhoso que se construam esses espaços, pois é preocupante que, entre países com culturas tão similares e problemas tão parecidos, exista um desconhecimento em relação à cinematografia de cada um. É fundamental a criação desses espaços, que espero que tenham como objetivos claros criar acordos bilaterais e gerar maiores pontes de produção e distribuição entre países do Mercosul.

FAM – Como é o cenário atual para o mercado audiovisual na Colômbia?

SB – A cinematografia da Colômbia continua crescendo pouco a pouco, porém ainda falta muito a fazer. É verdade que as leis de cinema 814 e 1556 impulsionaram a produção e felizmente temos um fundo que funciona muito bem e que permite impulsionar a produção cinematográfica, mas são poucos os espaços e as oportunidades tendo em vista a quantidade de produções que se inscrevem. Fundos regionais fazem falta, para que não se dependa apenas de um fundo nacional que abre somente uma vez ao ano, e existam, assim, mais opções de produção.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.




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