Entrevistas

Documentário analisa uma década da política de cotas raciais na UFSC

Lucas Krupacz, diretor e jornalista
Lucas Krupacz, diretor e jornalista

Filme de Lucas Krupacz, Revolução silenciosa: 10 anos de cotas raciais na UFSC é resultado do trabalho de conclusão no curso de Jornalismo do diretor, que analisou a implantação dessa politíca de ação afirmativa na universidade. Ele também participou da primeira edição do Rally Universitário no FAM, em 2017, e agora estreia seu filme no festival, na Mostra Curtas Catarinense.

FAM – Como foi desenvolver o filme e escolher esse tema?

Lucas Krupacz - Foi um processo de quase um ano desenvolvendo o projeto, é um tema complexo, ainda mais pra mim que sou um estudante branco, mas estamos no melhor momento para discutir esse tema no Brasil, momento em que estamos perdendo direitos. O documentário transmite uma visão dos estudantes, da universidade, das instituições, funciona como registro histórico do que aconteceu na UFSC nesses 10 anos, os desdobramentos por conta da implantação das cotas. É o primeiro documentário feito no Jornalismo sobre as cotas.

FAM – A partir das entrevistas com a comunidade universitária, como você avalia a implantação das cotas?

LK -
Senti que as cotas são necessárias para um progresso tanto da universidade como da sociedade. Ouvimos muito sobre cotas como equiparação ou reparação histórica, mas acredito que 500 anos de escravidão não se resolvem com uma política afirmativa específica, mas ela impulsiona essa transformação e é extremamente necessária. O resultado disso atinge a vida do estudante, o ambiente da universidade, faz entender como funciona a realidade sociobrasileira. Se tem que ter ou não as cotas, essa é uma discussão já superada. O importante em 10 anos é analisar o que pode ser mudado. Vi no documentário uma oportunidade de conectar esses pontos e trazer um registro do que se passou.

FAM - Estamos vivendo uma época de intolerância, você passou por alguma situação desse tipo ao longo do filme?

LK - Durante o processo de apuração participei de reuniões do movimento negro, de eventos da universidade, transitei muito nesse ambiente. Sou uma pessoa branca que nunca sofreu racismo na pele, e afinal na edição é a minha perspectiva que está sendo impressa ali. Me atentei muito a dados, números, fatos que não têm como serem negados. Não é opinião, foco em informação sólida pra não haver esse tipo de postura, como algum tipo de ataque ou intolerância.

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.
 




Parceiros