Entrevistas

Loli Menezes: o FAM é a minha casa

Loli Menezes teve obra selecionada para diversos festivais
Loli Menezes teve obra selecionada para diversos festivais

Veterana do Festival Audiovisual Mercosul, na edição 2019 a cineasta Loli Menezes nos presenteia com o curta-metragem Selma Depois da Chuva, filme que faz parte da mostra competitiva Curtas Catarinense e será exibido em quatro sessões ao longo do Festival.

O filme conta a história de uma transexual que escolheu viver longe da família, mas que acaba tendo que retomar o convívio com a mãe que sofre de Alzheimer. De forma sensível, a obra provoca uma reflexão sobre temas tão importantes, como identidade de gênero, relações familiares e velhice. E tem chamado a atenção de festivais nacionais e internacionais, como nos conta a diretora nesta entrevista concedida ao FAM.

Selma Depois da Chuva será exibido no complexo Cine Show do Beiramar Shopping, nos dias 29/09 (15h00), 30/09 (18h30 e 19h00) e 02/10 (18h45). O FAM 2019 teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

FAM – Selma Depois da Chuva, selecionado para a mostra Curtas Catarinense, é um filme que trata de transexualidade, velhice e relações familiares. Como nasceu a história do filme? E qual a importância de trazer essas temáticas para os dias atuais?

Loli Menezes – A história desse filme nasceu a partir de entrevistas do roteirista Renato Turnes com a atriz Selma Light. Eles tinham planos de montar um espetáculo, então fizeram alguns encontros e a partir dessas conversas nasceu o roteiro de Selma Depois da Chuva. As temáticas do filme são além de importantes, urgentes. Estamos vivendo um retrocesso tremendo nas políticas públicas e na defesa dos direitos humanos e mais do que nunca precisamos dar voz às minorias. As questões da velhice e transexualidade se enquadram dentro dessas minorias, precisam ser mostradas, discutidas e refletidas.

FAM – A equipe do filme foi composta majoritariamente por mulheres. Essa seleção foi proposital?

LM – Sim. Eu ganhei o prêmio do edital do Ministério da Cultura (MINC), na categoria Carmem Santos, que premia diretoras mulheres. Com a conquista desse prêmio tão importante e simbólico, fiz questão de montar uma equipe majoritariamente composta por mulheres, comprovando assim que temos capacidade e talento para ocuparmos todas as posições necessárias para a realização de um filme.

FAM – O filme foi lançado nacionalmente em março. Como vem sendo a aceitação do público e da crítica?

LM – Tenho recebido muitas mensagens de pessoas que assistem ao filme e se sentem tocadas, se comovem e isso pra mim é o mais gratificante. Curiosamente nos festivais brasileiros o filme vem sendo bastante recusado, enquanto fora do Brasil está tendo muita repercussão. Acabo de ser convidada para ir exibir o filme em São Francisco, no Mill Valley Film Festival, um dos festivais mais importantes da Califórnia. O filme já passou por oito cidades nos EUA, duas na índia, além da Inglaterra, Turquia, México, Peru, Chile e Equador. Ganhou uma menção honrosa por melhor narrativa curta no Independent Short Awards (ISA), um festival promovido pelo IMDB, e também foi exibido no Chinese Theatre em Hollywood (local onde é realizada a cerimônia do Oscar). Enquanto isso, no Brasil, foi exibido apenas em Vitória, Goiás e agora no FAM.

FAM – O filme foi selecionado para participar de uma série de festivais nacionais e internacionais, como o NewFest New York’s LGBTQ film Festival 2019. Como você enxerga essas conquistas?

LM – A cada festival que o filme é selecionado, sendo daqui ou de fora, importante ou pequeno, é uma grande alegria pra mim. Eu fico muito feliz, imaginando cada cidade, cada exibição, quem está assistindo... a gente nunca consegue ter a dimensão de quem está sendo tocado pelo filme e é muito louca essa sensação, de colocar a obra pro mundo e perder o controle sobre ela. Sinto-me muito realizada com o Selma.

FAM – Você tem uma longa história com o FAM, sendo vencedora do melhor vídeo eleito pelo júri popular na edição de 2004, por exemplo. Como vê a importância desse festival para o mercado audiovisual do Mercosul?

LM – O FAM é minha casa. O primeiro prêmio que ganhei na vida foi no FAM, em 2002, com Ocorredor e desde lá já participei e fui premiada inúmeras vezes. Além disso, trabalhei durante alguns anos no Festival. Fui fotógrafa, assessora de comunicação, trabalhei no Making Of, enfim, acompanho o festival desde sempre, e é tão importante, tão necessário, tão nosso... Ter a oportunidade de uma vez por ano assistir filmes e trocar experiências com nossos hermanos é fundamental para o nosso mercado e para as nossas relações com o Mercosul. Sou fã do FAM!

O 23º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve o investimento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual - FSA, Agência Nacional do Cinema - Ancine, com realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.




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