Entrevistas

Cinema a favor do processo de paz na Colômbia

foto: Daniel Guillhamet
foto: Daniel Guillhamet

 A sessão do longa La Sargento Matacho, de William González, teve a presença da produtora colombiana Alina Hleap para a primeira exibição brasileira do filme, que retrata o período de violência no país iniciado com os bandoleiros, entre 1948 e 1962, antes da criação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. A exibição no FAM acontece no momento em que o acordo de paz do governo colombiano com as FARC, firmado em novembro de 2016, vive uma crise, com a prisão e ameaça de extradição para os Estados Unidos de um de seus líderes. Na entrevista ela fala de uma campanha pela paz que o filme tem promovido.

FAM - O filme trata da época em que começou a violência na Colômbia, qual a relação com o momento atual no país?
Alina -
O filme é baseado em fatos reais, conta a história da primeira mulher bandoleira na Colômbia, Rosalba Velasco, do que se passou na Colômbia depois de 1948, quando se inicia a época conhecida como La Violencia, mas essa violência continuou depois, no âmbito político, entre liberais e conservadores, ou seja, o que se formou na época do filme foram os bandoleiros, depois passa a ser guerrilha, que é o que aconteceu com as FARC. O filme conta essa parte histórica como sendo a mãe da violência existente hoje.

O que estamos fazendo com o filme é criar espaços de diálogo para que as pessoas pensem sobre a história do conflito, algo que se repete ciclicamente por seis décadas e agora que estamos com o processo de paz firmado não sabemos o que vai acontecer, o que o presidente vai fazer. Estamos muito preocupados, como progressistas e pacifistas, porque envolve um governo fascista e esperamos que o movimento de mais de 8 milhões de pessoas que votaram pela outra opção, a paz, prevaleça. Vamos resistir porque não podemos deixar que o acordo de paz, que demorou tanto, se acabe.

As eleições deste ano foram as mais pacíficas em 60 anos na Colômbia, não houve um só morto. Os hospitais militares estão vazios porque não há guerra, queremos que respeitem o acordo, as FARC já entregaram as armas, estamos preocupados mas temos fé, somos muitos. Com o filme a ideia é levar a muitos municípios onde se pode fazer essa reflexão, já foram mais de 90 exibições. O filme é muito forte, para promover uma catarse a respeito. Ao final da sessão entregamos um papel com uma semente de acácia para que seja plantada, vire uma árvore e para que as pessoas não se esqueçam.

FAM - O filme também levanta questões de gênero, de que forma?
Alina -
O filme tem muita relação com violência de gênero porque não fala somente da guerra, queremos mostrar que a guerra ataca física e mentalmente sobretudo as mulheres, e é o que se passa com a violência doméstica, a mulher é o centro de tudo. No caso de Matacho ela era uma geradora de vidas, por ser mulher, mas torna-se uma ceifadora de vidas, uma assassina, e abordamos isso de uma forma ampla.

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