Entrevistas

A descoberta do amor pelos olhos de um tênis

Débora Herling
Débora Herling

Par Perfeito, de Débora Herling, foi exibido como concorrente na Mostra Curtas Catarinense e como filme convidado na Infantojuvenil. Débora também faz parte da equipe do FAM e conta, na entrevista, que o filme foi realizado com recursos que ela economizou trabalhando em edições do festival.

FAM - Como você pensou em contar essa história, que também fala da descoberta do amor?
Débora Herling -
Par Perfeito é uma ficção fantástica, voltada para o público infantil, e fala com naturalidade sobre a descoberta da sexualidade, as diferentes formas de amor, por meio da história de um par de sapatos, que é animado e cai de amores por sua dona. Mas ao mesmo tempo conta sobre o amor de duas meninas, que estão descobrindo a primeira paixão, de uma maneira tranquila, delicada, suave, mas ao tempo tem uma pauta importante que é a falta de representatividade de personagens negros, as mães solteiras, as personagens que são homossexuais. O filme fala a linguagem das crianças, por meio de animação, remetendo a animações antigas.

FAM - E como surgiu a ideia de ter um tênis como personagem?
Débora -
Essa é uma experiência minha, com a minha mãe, tive um All Star por uns anos, e minha mãe ficava brigando comigo pra jogar fora, tinha um furto na sola. Ela jogou e fiquei muito chateada, aí me comprou um novo. Muitas pessoas têm um objeto que gostam muito e esse era o caso. O filme também trata isso levando em conta questões ecológicas, de evitar consumismo, e que é possível dar nome aos objetos, ter um carinho maior, um cuidado melhor com nossas coisas.

FAM - A mãe fala uma língua que não se entende, por que pensou nesse artifício?
Débora
- Esse artifício estava remetendo a referências de animação em que os pais não falam, como Tom & Jerry, para lembrar que muitas vezes a gente não consegue entendê-los, remete à total inocência da criança sobre determinados assuntos, o tênis tem uma inocência, ficou 20 anos num estoque, não sabe nada do mundo. O personagem é dramático, busca se expressar por filmes. Adoro dublar filmes, objetos, animais de estimação, o filme tem bastante de mim, é o meu primeiro, pra isso trouxe essas referências, as crianças podem se identificar e os adultos também. Foi meu TCC em cinema, tive apoio da universidade em equipamentos, locação, da equipe, e todo o dinheiro que arrecadei para o filme foi através dos anos que trabalhei no FAM. O roteiro desde a terceira fase e fui adaptando.

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