Entrevistas

A criatividade é o limite para a utilização do som na narrativa


Gustavo Oliveira de Souza, o Gus, é um dos técnicos e editores de som que mais atuam no audiovisual catarinense. Como no ano passado, ele deu algumas dicas sobre o que é possível fazer para agregar elementos sonoros à narrativa para os 25 participantes do 2º Rally Universitário que acontece até domingo no 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul.

Na entrevista abaixo, Gustavo fala como o som pode ajudar a contar uma história:

FAM – Qual é a diferença da sua palestra do ano passado no primeiro Rally Universitário aqui no FAM?
Gustavo Oliveira de Souza -
A palestra este ano vai ser dividida em duas etapas, o Jussimar Teixeira, que está coordenando com o pessoal do Rally Universitário, vai falar sobre captação de som, e eu viu falar sobre pós-produção, o que é possível utilizar de elementos sonoros para ajudar a contar a história. O prazo é curto, tem pouco espaço de tempo para se fazer o filme, então de repente é melhor não focar tanto em diálogo e buscar elementos sonoros do ambiente onde se está ou outros ruídos para se construir essa narrativa.

FAM – Que tipo de truque pode ser usado neste caso, quando se tem tão pouco tempo para a produção?
Gus –
Vai depender da criatividade das pessoas, ela é o limite. Você pode fazer de tudo, inclusive simular um andar a cavalo com sons gravados até mesmo com celular. Com a mão batendo em algum lugar é possível simular um cavalo. Também é possível buscar sons na internet ou mesmo no ambiente do roteiro, por exemplo, numa cena de suspense, alguém está atrás de uma porta e você escuta a aproximação da pessoa com os passos. Isso é uma coisa básica, mas como você vai usar isso, como colocar na cena, é algo que você pode gravar em qualquer ambiente.

FAM – Você mencionou sons da internet, ela é uma ferramenta útil nesses casos?
Gus –
Você encontra muita coisa de graça na internet, pode baixar. Mas você também pode usar o equipamento que vai levar para o set para gravar coisas que se encaixam no roteiro. Você pode fazer uma lista: meu roteiro, por exemplo, tem uma faca que alguém puxa de uma gaveta, então grava apenas o som da gaveta sendo aberta e alguém pegando a faca. Não precisa ter essa imagem. Apenas coloca o microfone e capta o barulho da gaveta se abrindo e os talheres sendo mexidos.

Tem muita gente que diz que o som é metade da imagem, ou até mais. Quanto melhor gravado e utilizado for esse som, mais impacto ele vai ter no final. Tem muita coisa em um roteiro que pode ser utilizado apenas o som, barulho de pássaros, carros na rua, pessoas conversando. O truque, que você mencionou antes, é saber a melhor maneira de utilizar esses elementos. E cinema é truque, já nasceu como truque. O som é uma carta desse truque.

O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

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