Entrevistas

O áudio de guerrilha

Foto: Daniel Guilhamet
Foto: Daniel Guilhamet

Jussimar Teixeira foi um dos palestrantes sobre som durante o Rally Universitário. Ator, técnico de operação de câmera, participou da escola e produtora sediada na ONG Cinema Nosso e fez carreira como técnico de som direto. Também participou do Rally 100x100, no Fenavid, em Santa Cruz de La Sierra na Bolívia, e abordou esses aspectos na palestra nesta quarta.

FAM – Como é sua trajetória no audiovisual?
Jussimar Teixeira -
Sou gaúcho, saí do Rio Grande do Sul com 16 anos para estudar artes cênicas no Rio de Janeiro. Sou de classe média baixa, sempre procurava formações gratuitas. Tentei uma vaga para atuação para TV, mas eu sempre gostei de aprender, então estudei câmera no Sated/RJ com Dib Luft, importante na fotografia do cinema novo. Depois entrei no Cinema Nosso, recém-fundado, que era destinado a jovens de baixa renda, e já no nível avançado. É uma ONG, uma grande escola de cinema que formou milhares de jovens com um alto patamar de qualidade.

Em 2009 fundamos a produtora-escola formada por iniciantes do audiovisual, dentro do Cinema Nosso, para entrar no ritmo do mercado de trabalho, e nossos padrinhos eram Fernando Meirelles, Kátia Lund e o Luis Lomenha. Em cada produção a gente trazia um técnico renomado de cada área para ajudar no set. Fazíamos rodízio, fotografia, produção, som, continuidade, aprendemos tudo.

A gente era uma grande produtora. O Cinema Nosso me colocou mais ainda no mercado de trabalho. Dali fui para a produtora Lata Filmes, do Lázaro Ramos, fiz o programa Espelho, no Canal Brasil, trabalhei com a Ana Maria Braga, com a Carolina Ferraz para o programa dela também. Trabalhei de forma fixa numa produtora onde senti o que era o grande lobo do mercado audiovisual. Tenho 30 anos, mas com isso vejo que uma história longa. Não consegui por causa do trabalho terminar a faculdade de cinema, mas aprendi muito. Estou na Jabuti Filmes e tenho uma empresa própria. Foquei em som, ainda estudo câmera, mas sou técnico de som direto.


FAM - Qual é a atenção dada ao som direto nas produções brasileiras?
Jussimar -
Não gosto muito de falar isso, mas no Brasil não se trata de audiovisual, é visual. Uma produção contrata um caminhão de luz para a fotografia, mas o som direto às vezes não ganha um assistente. A gente é o áudio de guerrilha, tem que se municiar com o que tem e fazer o melhor possível com o que tem. No audiovisual o projeto é de todos, e todos querem um bom resultado, a obra fica para sempre.

FAM - E como foi sua experiência com o Rally na Bolívia?
Jussimar -
Fui o primeiro brasileiro a participar do Rally 100x100 em Santa Cruz, na Bolívia, em 2010. Fui duas vezes, a primeira como câmera e em 2014 ganhei como melhor trilha sonora e o nosso projeto ganhou como o melhor filme. Mesmo que eu já estivesse no mercado consolidado, sempre gostei de estar no meio desses eventos, aprendemos muito.

FAM - E no que você focou em sua palestra aqui no FAM?
Jussimar -
Falei um pouco da história do início do áudio no cinema brasileiro, até o primeiro filme com som direto no Brasil, que foi Garrincha, e depois sobre como funciona uma equipe de áudio, a importância de fazer a pré-produção e a produção, já que o técnico de áudio deve estar sempre entrosado com o diretor, com o diretor de fotografia, precisa fazer seu story board, saber como se portar no set, escolher os equipamentos, coisas que vão servir para o rally agora, e também sobre o mercado de trabalho.

O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

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