Entrevistas

O exercício de ritmo e criatividade da montagem


 O montador, realizador e ator Pablo Riera dará a oficina de montagem no Rally Universitário do FAM 2018. Brasileiro, de São Paulo, ele estudou e desenvolveu sua carreira no Uruguai, desde 2005. Assinou a montagem, entre outros, do longa convidado do FAM 2014, El lugar del hijo, de Manolo Nieto, e trabalha habitualmente com diretores como Adrian Biniez (diretor do longa Las Olas, que será exibido na quinta), e Verônica Perrota (de Las toninas van al este, exibido ano passado). Tem trabalhos publicitários no mercado uruguaio e em países como Colômbia, Equador e México. É também professor de edição no Instituto Escola Nacional de Belas Artes da Universidade da República do Uruguai.


FAM - Como você compreende o trabalho criativo da montagem? Como se dá a relação do montador com o diretor e roteirista nesse sentido?


Pablo Riera - Montagem é o trabalho que dá a forma e o ritmo final da narrativa dramática de qualquer filme. O trabalho de montador é supercriativo, por isso que eu adoro ele. A relação com direção e roteirista deve ser a melhor possível porque os três querem a mesma coisa: fazer um bom filme.


FAM - O que sua oficina sobre montagem no Rally vai abordar? Pode comentar aspectos que considera importantes para um montador iniciante?


Riera - Falarei um pouco de minha formação, como estudante de cinema e profissional. O que eu acho importante na hora de editar qualquer material, a metodologia de trabalho que utilizo e algumas ferramentas que acredito que são muito úteis na hora de montar. Para quem está começando, gosto de ressaltar a prática, observação e experimentação com qualquer material audiovisual.


FAM - O que você acha dessa iniciativa de formar uma equipe de estudantes e realizar um curta num tempo reduzido, como no Rally?


Riera - Acho superinteressante porque qualquer trabalho cinematográfico tem seus próprios desafios, e isso nos faz desafiar nossa criatividade para superá-los. E quase sempre estamos trabalhando a "contra-relógio".


FAM - Você nasceu em São Paulo mas sua carreira se desenvolveu no Uruguai, trabalhou inclusive com diretores que já trouxeram fimes para o FAM. Você voltou a realizar algo no Brasil? Como é o mercado latino-americano para montadores?


Riera - Trabalhei recentemente no Brasil, como ator em um pequeno papel, no filme “Benzinho" de Gustavo Pizzi, que ainda vai estrear no Brasil. O mercado latino-americano cresce cada vez mais. Mas no Uruguai, fazer cinema acredito que tem um tempo mais lento que os demais países da região. Por exemplo, no ano passado foi produzido só um filme. Este ano já vão mais de cinco, assim como há filmes que se filmaram há mais de dois anos ou mais e estão estreando agora. Tudo isso por causa do sistema de verbas do Uruguai e também internacional para fazer cinema.

FAM - Quais são seus trabalhos atuais e projetos futuros?


Riera - Agora estou editando um longa de ficção uruguaio com coprodução com o Brasil, “Mateína” de Pablo Abdala y Joaquin Peñagaricano. Também ao lado de Nicolás Galli e Adrián Bentacourt abrimos uma produtora neste ano no Uruguai chamada “Barbarians”. Já temos realizado trabalhos publicitários para clientes importantes do país, a ideia é produzir filmes também.

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