Entrevistas

O cinema como experiência coletiva jamais irá morrer, diz Celso Sabadin


O jornalista e crítico de cinema Celso Sabadin vai lançar o seu livro História do cinema para quem tem pressa (Valentina, 2018), em Florianópolis, no próximo dia 23, durante o 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 2018, que acontecerá de 19 a 24 de junho no Centro de Cultura e Eventos da UFSC. No livro, Sabadin resume em 200 páginas uma longa e rica trajetória iniciada com os irmãos Lumière, no século 19, até os dias de hoje.

Na entrevista abaixo, Sabadin conta como foi a origem do livro e como fez para não deixar de fora fatos e personagens importantes dessa história:

Pergunta - Cinéfilo de longa data como és, por que demoraste tanto para fazer um livro como esse, em contraste com o título da obra?
Celso Sabadin -
Pois é, cinéfilo e crítico de cinema, tenho que ver tantos filmes que não dá tempo de escrever tanto como eu gostaria. Na verdade, a ideia surgiu quando eu estava correndo, com pressa, num aeroporto, indo de um festival para outro (nem lembro quais) e vi na livraria a coleção "Para quem Tem Pressa", que traz vários títulos sobre História. Anotei o endereço da editora Valentina e, na maior cara de pau, propus a eles escrever uma História do Cinema para quem tem Pressa. Eles aceitaram. Felizmente tive um prazo bom (cerca de um ano e meio aproximadamente) para poder fazer um bom trabalho... sem pressa. Quem tem pressa, aqui, é o leitor, não o autor.

Pergunta - Com uma história tão rica como a do cinema, como fizeste para lidar com o risco de deixar de fora algo fundamental nessa trajetória desde os Irmãos Lumière?
Sabadin -
Me senti planejando uma grande festa já sabendo que não caberiam todos os convidados, que eu teria que deixar alguns para fora. A opção foi priorizar o processo histórico, a maneira pela qual as diversas escolas estéticas, artísticas e políticas do cinema se sucederam da forma que se sucederam, sempre contextualizando com o momento histórico. A História do Cinema não é isolada do resto das Histórias, não caminha, sozinha, e a ideia foi contar, de forma contextualizada, como tudo aconteceu desde o comecinho até hoje. Obviamente, os impressionistas alemães, por exemplo, não se reuniram de repente num boteco e falaram: "Vamos criar o Impressionismo Alemão hoje, pessoal?" Tudo teve seu tempo e seus motivos para acontecer, e foi a partir daí que eu desenvolvi a estrutura do livro.

Pergunta - Quais foram os filmes e os cineastas mais importantes para a tua formação como crítico de cinema?
Sabadin -
Difícil dizer. Sempre fui rato de cinema, assistia a tudo, desde os desenhos do Tom & Jerry que meu avô me levava pra ver (no cinema, na tela grande!), até todos os europeus e orientais papo-cabeça que passavam na minha adolescência no Cine Belas Artes aqui de São Paulo, passando por Jerry Lewis, desenhos da Disney (tudo em tela grande), até os antigos "films noir" que eu via à noite, nas reprises da tevê, com meu pai me dizendo quem era Humphrey Bogart, James Cagney, etc. Acho que isso acabou me dando uma visão diversificada do cinema, sem preconceitos, procurando ver o que de melhor existia em cada gênero, em cada filme.

Pergunta - Do cinema brasileiro, quais personalidades não poderiam faltar de jeito algum no livro?
Sabadin -
Em termos de Brasil, como o livro traça um panorama mundial, destaquei os momentos em que o cinema brasileiro conseguiu projeção internacional, principalmente o movimento Cinema Novo e a fase da Retomada, na virada do século 20 para o 21. Mas já está nos planos um livro específico sobre a História do Cinema Brasileiro, que é muito mais ampla e rica que a maioria das pessoas acredita.

Pergunta - E o futuro do cinema, com os novos modais de exibição e compartilhamento, para que caminho aponta?
Sabadin -
Acredito que o mais importante não seja saber "onde" veremos os filmes no futuro (se em telas grandes e pequenas, em celulares ou tablets, etc), mas sim "com quem". Nada supera a experiência de ver os filmes em conjunto, com coletividade, ao lado de outras pessoas, sentindo reações e calores humanos. A extrema individualização dos costumes que vivemos hoje é prejudicial às relações humanas, por isso acho que o cinema, como experiência coletiva, jamais irá morrer.

O 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE - , Fundo Setorial do Audiovisual - FSA -, Agência Nacional de Cinema - Ancine - , com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Ministério da Cultura e Governo Federal.
 

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