Entrevistas

Um projeto de integração latino-americana no cinema

Alejandro Fuentes Arze é idealizador do projeto do Rally Universitário
Alejandro Fuentes Arze é idealizador do projeto do Rally Universitário

O 1º Rally Universitário Floripa do 21º Florianópolis Audiovisual Mercosul teve como inspiração dois projetos do Festival Internacional de Cine Santa Cruz - FENAVID. Santa Cruz 100x100 e o Rally Universitário foram idealizadas por Alejandro Fuentes, diretor e fundador do Festival, com o objetivo de integrar os jovens e fazer de Santa Cruz uma cidade referência no cinema. Nesta entrevista, Alejandro conta sobre a experiência de trazer seu projeto para o Brasil.

Quando surgiu seu projeto?
Primeiro era mais um projeto de universitário para a integração, porque eu via que os jovens não entravam nas palestras, nem nas conferências, nem nas oficinas. Queríamos que fosse mais prático, e também que eles tivessem um desafio e, de verdade, pudessem ter um interesse pelas palestras que haviam porque era sobre seu trabalho. Como era universitário, isso foi expandindo e depois de quatro ou cinco anos levamos aos profissionais. Além disso, havia gente universitária que não podia pse inscrever, porque pessoas com mais experiências tinham mais chances. Então, criamos dois projetos: Rally Universitário para estudantes de Santa Cruz 100x100 para os profissionais.

Como é feita a seleção agora e o processo de montagem de equipe?
O Santa Cruz 100x100 tem duas intenções por trás. Um é que de alguma maneira a Bolívia não estava integrada porque não tinha cinema. Eu necessitava que pessoas de fora viessem e que os realizadores bolivianos pudessem se integrar à essas pessoas. No fundo, Santa Cruz 100x100 é um projeto de integração e tolerância, não é um processo de ensinar-lhes a fazer cinema, porque todos sabem fazê-lo e não vão aprender em uma semana. O que aprendem muito é a respeitar as formas narrativas de fazê-lo, os olhares dos diretores ou dos consultures que vão orientar. A integração é porque no debate do roteiro eles se conhecem como pessoas. Na montagem, quando estão muito cansados, eles têm que dar muita força uns aos outros e acabam se integrando como seres humanos. É um processo de integração, de irmandade. As pessoas sempre terminam como sendo uma única equipe. Faz anos, quase a maioria, que não lhes interessa tanto ganhar, sim ganham, mas já ganharam uma noite antes porque estão se apoiando, todos comemoram quando outra equipe finaliza o filme. Essa parte é bem interessante. Outro ponto é que possamos fazer de Santa Cruz um espaço de produção cinematográfica e promovê-la no contexto latino-americano. Minha esperança é que com o tempo, Santa Cruz seja referência de formação no cinema ou  da produção cinematográfica. 

Como é trazer o projeto ao Brasil?
Fomos primeiro à Mar del Plata, mas não tivemos êxito justamente porque não tinham esse espírito de integração. Quando não existe espírito de integração todos vão para seu lado e se converte em uma classe ou em um trabalho prático de uma universidade. Não tem sentido. A ideia é que eles saiam de suas casas, é como uma imersão. A parceria com o FAM foi firmada no ano passado quando me pediram para fazer isso e aceitei. Nós juntamos o que na Bolívia é o Rally e a versão do 100X100.

Podes olhar o projeto feito com o FAM e ver semelhanças?
É uma alegria, porque nunca estive no processo de entrar nas equipes. Sempre estive desde o ponto de vista da organização, além disso eu tinha um ou dois coordenadores que estavam com a gente. Eu só tinha que ver de fora, porque tinha que atender ao Festival. Aqui vi mais de perto e notei a energia que dão, notei também as frustrações, mas também a irmandade. A expectativa foi cumprida. Certamente temos que mudar algumas coisas, trabalhar para que todos estejam imersos, mas isso é vem com o tempo.

Como as pessoas podem fazer para participar?
Faz 3 anos que firmamos essa parceria com o FAM onde lhes damos 4 vagas, agora são 5, uma para a equipe do FAM também. Isto faz com que o Brasil posso ter esta chance, não quer dizer que quem é de São Paulo ou Rio não possa ir, tudo depende do perfil. Fora esse convênio, o Festival FENAVID lançou sua página de web. Ao entrar em www.fenavid.com uma pessoa pode se inscrever. Creio que já temos 20 pessoas. As inscrições vão até 31 de agosto. Geralmente chegamos a 250 inscritos. Podem ir pessoas de todas as partes do mundo, o que precisam fazer é certificar que sabem de cinema. Precisam responder a algumas perguntas também para cruzar as respostas e ver se estão realmente indo trabalhar ou para passeio. 

Neste ano, FENAVID acontece entre 19 e25 de outubro de 2017. Além das convocatórias já tradicionais, o concurso “Gente com Voz” é uma novidade desta edição. São convocados cantores, compositores e catautores com composições inéditas sobre o tema “Integração e convivência entres países e culturas”. As canções servirão para a produção de um videoclipe durante o Encontro Cinematográfico de Santa Cruz 100x100.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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