Entrevistas

Marca, comunicação e novas tecnologias diante de um novo tipo de consumidor

Gloria Lara - foto Marino Mondek
Gloria Lara - foto Marino Mondek

Diretora de gestão e operações da empresa Vídeo Engenharia, Gloria Lara apresentou neste sábado, no Fórum Audiovisual Mercosul, uma palestra sobre “Comunicação e os novos paradigmas”, dentro do FAM 2017. Em sua fala, ela tratou do que chama o “prossumidor”, neologismo criado para definir o sujeito que consome e produz conteúdos em redes sociais, e das oportunidades que as novas tecnologias propiciam para a comunicação das marcas com os seus públicos.

Pergunta – Como você trabalha a questão das novas tecnologias dentro da comunicação e do audiovisual?
Gloria Lara –
A Video Engenharia está no mercado há 18 anos e a gente sempre trabalhou com workflow de pós-produção. Só que com essa mudança do mercado, a gente percebeu que a tecnologia está cada vez mais acessível, mais simples. E por conta disso, essa especialização que tinha telecine, mudou mesmo. Hoje qualquer um pode fazer um filme usando um celular. Essa possibilidade nos coloca numa posição de também inovar. No ciclo de vida de um produto de comunicação, nós estávamos no final, no workflow de pós-produção. Mas toda cadeia vem mudando dramaticamente. Como a captação se tornou muito simples, as pessoas não precisam mais de especialistas. As telas estão menores, os equipamentos estão mais acessíveis. Tudo mudou também com a conectividade, e os cidadão, o consumidor, não precisa mais ser refém dos meios de comunicação. Ele é o que a gente chama de prossumidor, o sujeito que consome e produz os seus conteúdos.

Pergunta – Essa nova forma de comunicação implica um novo posicionamento por parte de quem trabalha no setor?
Gloria –
A gente está se posicionando para sermos um laboratório de tecnologia. Qual foi a última propaganda de uma empresa ou de uma marca que você se lembra de ter assistido? Precisa pensar muito para responder. Porque hoje não assistimos mais comerciais, a gente zapeia. Na década de 1980, as marcas surfavam na onda, elas produziam bens e você, como consumidor, ia lá e comprava. Se você comprava uma geladeira e ela não funcionava, você tinha que escrever uma carta para o jornal e o jornal mediava o teu diálogo com a marca. Hoje você tem voz, você cria na sua rede ou no seu grupo um aviso, olha, tal marca fez isso ou fez aquilo. Hoje as marcas estão preocupadas em fidelizar os consumidores, gastam bilhões nisso sem conseguir resultado. Hoje não é mais produto e preço bom que fideliza um consumo, o que fideliza é a experiência. A tecnologia serve então para mediar esse protagonismo que a pessoa quer ter. E isso pode ser aliado à uma marca, por que não? Essa é a experiência que todo mundo quer ter hoje, e é o que estamos fazendo, se comprometendo a ser um laboratório de projeção, realidade aumentada, inteligência artificial, acho que esse é o caminho.

Pergunta – E como isso muda o audiovisual?
Gloria –
Há um tempo, nós ouvíamos, com relação à Netflix, com os canais da tevê paga, que o cinema iria sumir. Isso não aconteceu. O cinema não sumiu e esses mídias convivem de maneira melhor. O cinema até está mais forte hoje. O que eu acho é que as marcas vão precisar de um outro tipo de mediação, e eu tenho dúvidas se a cultura deve continuar a ter receio de buscar recursos diretamente com elas. A cultura pode trabalhar em conjunto com uma marca. Eu não vejo isso de uma maneira ruim, acho que é o contrário. Você pode ter a marca sem que a cultura precise se vender. O papel da cultura é criar demandas, criar público para novos modelos. Acho que, com isso pode sobrar mais grana para a cultura.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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