Entrevistas

Ensaios livres sobre cinema no livro Iluminuras

Pati Peccin e Ricardo Weschenfelder - foto Marino Mondek
Pati Peccin e Ricardo Weschenfelder - foto Marino Mondek

O cineasta catarinense Ricardo Weschenfelder, diretor dos curtas Se eu morresse amanhã (2009), Dicionário (2012) e Talvez neve na Serra (2015), entre outros filmes, lançou no Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 2017, neste sábado, o seu segundo livro, Iluminuras, com 37 ensaios sobre o cinema, escrito enquanto fazia o seu doutorado em Comunicação.

Pergunta – Quando você começou a escrever esses ensaios?
Ricardo Weschenfelder –
Fui escrevendo ao longo do doutorado que eu fiz no Curso de Realização Audiovisual da Unisinos (em São Leopoldo-RS). Eu estudei sobre o invisível no cinema, essa foi a minha tese, que defendi no ano passado. Entrei no doutorado em 2012, e esses ensaios fui escrevendo ao longo desse período, como uma forma até de me livrar um pouco do peso da academia. São ensaios mais livres, poéticos. Muitos foram escritos durante as viagens de ônibus ou de avião. Algumas coisas estão relacionadas à pesquisa, coisas que eu estava lendo, estava assistindo. Mas são escritos mais livres, eu pegava um tema, por exemplo, como a chuva no cinema, o rosto no cinema, os cegos no cinema, e a partir disso eu ia explorando o seu relacionamento com a pintura, com a fotografia, com o vídeo. Como alguns pintores já estavam fazendo cinema, desde o Velasquez ao Jackson Pollock, passando pelos impressionistas.

Pergunta – Por quê o título Iluminuras?
Weschenfelder –
Peguei essa estética das iluminuras dos manuscritos da Idade Média pois elas ilustravam as imagens, e a proposta do livro, que tem as ilustrações feitas pela Pati Peccin, é explorar essa contaminação entre texto e imagem. Como se esse texto fosse também movimento nessa relação entre o escrito e a imagem. Também procurei explorar a questão da luz e da transparência do cinema, tanto que algumas das ilustrações que ela fez são sobrepostas em papel transparente.

Pergunta – O livro foi feito de modo artesanal. Conta um pouco dessa experiência.
Weschenfelder –
Fiz o livro na oficina do Aleph Ozuas, da Corrupiola (Experiências Manuais), junto com outras parcerias, como com o Selo Patifaria, da Pati (Peccin), a diagramação da 77 letras, do Pedro MC, que também fez o prefácio; a Editora Caseira, do Gustavo Reginato, fez a impressão. A proposta foi essa, fazer um livro artesanal e colaborativo, montado manualmente, cortado e costurado um a um.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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