Entrevistas

Parceiro na integração audiovisual

Mario Parente. Foto: Daniel Guilhamet
Mario Parente. Foto: Daniel Guilhamet

O argentino Mario Parente é um dos fundadores do FAM e seu nome está associado ao festival. Seu papel ajudou o FAM a nascer e se manter por 21 anos consecutivos. Mario atuou nas relações com o Mercosul e retorna a Florianópolis depois de alguns anos. Na entrevista, fala de alguns aspectos dessa história de integração audiovisual entre países.

Pergunta - Como é estar de volta ao festival?
Mario Parente -
Mesmo não estando fisicamente presente nesses últimos oito anos do FAM, os contatos e os trabalhos continuavam, é muito difícil ficar fora deste evento que está consolidado com um dos festivais mais importantes do audiovisual do Mercosul. A distância geográfica não alterou nada, o FAM tem um papel fundamental nas relações de intercâmbio e integração dos países latino-americanos.

Pergunta - Como era no início e como vê a forma que o festival tem hoje?
Mario -
No início fazíamos de tudo, tive um lugar que permitiu chegar a autoridades do Mercosul e trazê-las para Florianópolis, apresentando o FAM como um evento onde o debate e o entendimento são possíveis. Sendo políticos, mantivemo-nos com a ideia clara que teríamos que escutar as duas partes, podíamos conseguir isso num seminário, como começou, que foi o Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul, passamos a ter as mostras, passamos por vários lugares e estamos aqui na universidade, e o FAM tem uma relação com o ensino, com a produção.

Do começo das discussões até hoje, vivenciamos coisas concretas como coproduções, acordos, fomos reconhecidos no exterior como um dos eventos em que é frutífera a discussão, em que temos o compromisso de poder contar nossa verdade, quais são nossos verdadeiros interesses. Nos nutrimos de tudo isso. O FAM tem as portas abertas para colocar sobre a mesa essas ideias. Eventos como a Recam foram fruto também desses debates, que possibilitaram uma política de integração prática, assim como as leis de incentivo em Santa Catarina, conseguimos algumas coisas que hoje funcionam, que para os jovens são ferramentas importantes pra produzir.

Pergunta - O que você destaca como mais relevante nesses anos?
Mario -
O importante creio que é a consolidação de políticas públicas do audiovisual. A base para muitas plataformas audiovisuais que existem hoje no Chile, no Uruguai, saíram de discussões e debates que o FAM propôs, com os interlocutores certos. Temos não somente o cinema cheio, um público que tem participação muito ativa, que percebe esse clima, essa curiosidade de querer aprender algo mais através do audiovisual e se aproximar. É uma alegria saber que algo se passou para quem veio ao FAM.

Por se tratar de um evento que ocorre há 21 anos consecutivos, já tem uma relação de confiança com o público, e isso transparece quando você vê um recorde de inscrições, como o que ocorreu esse ano, que foram 700 produções. Os debates são procurados e mostram o potencial que o Mercosul tem pra seguir insistindo com nossas filmografias. Hoje vivemos as novas tecnologias dentro deste evento, o público enche as salas, as pessoas já não temem tanto o idioma, o público está mais integrado. É só esperar que venha o FAM pra ver filmes que dificilmente vão pra tela, cada vez temos mais gente do Mercosul querendo fazer da região um mercado mais sólido.

Pergunta - Pra você o que é o FAM de Todos?
Mario -
Pra mim é uma forma muito linda quando você incorpora o que é o FAM de Todos, feito de uma forma sempre com objetivo de melhorar a integração. O FAM é um evento como poucos, que está cheio de carinho, são muitas horas de trabalho juntos, sempre renovando com o aporte dos jovens, do público, fico orgulhoso de seguir vendo como ele cresce. Mesmo as situações adversas o FAM ultrapassa, sempre tendo isso não como o Norte, mas como o Sul.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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