Entrevistas

Las toninas van al este, tempo bom no encerramento do FAM

Verónica Perrota, diretora e atriz - Foto: Daniel Guilhamet
Verónica Perrota, diretora e atriz - Foto: Daniel Guilhamet

O 21º FAM encerra neste domingo com a comédia dramática argentina Las toninas van al este, de Verónica Perrota e Gonzalo Delgado. Verónica, diretora, roteirista e atriz (é atriz também de Mulher do Pai, exibido no FAM) conta mais dessa história que resgata no título um dito popular do Uruguai pra abordar uma relação de amor e mentiras entre pai e filha, ele um artista gay em decadência e ela, que vem contar ao pai que está grávida.

Pergunta - Você e Gonzalo Delgado têm carreiras paralelas no audiovisual uruguaio e resolveram realizar este filme para celebrar um trabalho em conjunto. Como foi? Desde o início a ideia era de uma comédia pra tratar do tema do filme?

Verónica - Quando decidimos trabalhar juntos Gonzalo e eu já tínhamos colaborado em dois projetos, Whisky e Acné, ele como diretor de arte e corroteirista e eu como atriz. Foi lá, no set do Acné, que falamos por primeira vez em nós dois escrevermos um roteiro. A parceria ficou muito legal, relaxada e divertida, tanto que decidimos dirigir juntos também. A ideia sempre foi fazer uma comédia com esses personagens fabuladores, pai e filha, que não são capazes de se encontrar com o outro sem mentir. A história foi chegando com o tempo

Pergunta - Como a história se relaciona com a cultura e a alma uruguaia?
Verónica -
Algumas pessoas falam que se as toninas, os botos, vão para o leste o tempo bom vai chegar, se elas vão pra oeste se resguardam do temporal. É uma coisa que compartilham pai e filha, uma fala que nenhum deles se lembra exatamente mas é o jeito que acham para dizer ao outro que estão confiantes que o tempo bom se aproxima para os dois juntos. Nós gostamos muito dessa imagem deles falando de uma coisa que não conseguem ver, mas se convencem de que existe, porque como roteiristas fazemos isso o tempo inteiro.

Pergunta - Você trabalhou em um dos clássicos do cinema uruguaio, Whisky, e tem uma trajetória como atriz, roteirista e produtora. Como isso convergiu para a realização de Las Toninas?
Verónica -
Acho que todo o que eu fiz até agora me ajuda em cada novo projeto. O trabalho como dramaturga me dá muita segurança como atriz e o trabalho como atriz facilita e singulariza o que escrevo. Também sou fã da colaboração e do olhar dos colaboradores, porque isso ajuda muito a crescer. Quando você trabalha com pessoas que te estimulam é a melhor coisa. Colaboro com pessoas que eu gosto muito do teatro, do cinema, da dança, acho isso muito enriquecedor. E a prova é que tem muitas pessoas dentro do filme com quem já colaborei em outros projetos. Pablo Albertoni, Carolina Besuievsky, Roberto Cancro, Micaela Solé, Sergio de León, Fernando Amaral, Adriana da Silva, Vika Esquivel. O Gonzalo e eu tentamos fazer uma equipe que nos acompanhar com nosso primeiro filme e nos complementamos muito. Las toninas viajou por vários festivais e eu recebi o Kikito de Gramado por esse papel.

Pergunta - Você estará no FAM também como atriz de Mulher do Pai. Como foi a tua experiência no filme, que é uma coprodução entre Uruguai e Brasil e também filmado na fronteira?
Verónica
- Eu estou muito feliz com tudo o que aconteceu e o que está acontecendo com Mulher do Pai. Acho um filme delicado e sensível, lindo. Desde o começo me apaixonei pelo roteiro e pelo personagem da Rosario, claro. Achei superlegal a abordagem da Cristiane na hora dos ensaios e na filmagem também. A experiência de morar lá na vila, compartilhando a criação e a vida com aquela equipe tão bacana e talentosa foi uma experiência inesquecível. Eu estou muito agradecida por esse filme porque já me deu tanta coisa: novos parceiros e amigos, me fez atuar em outra língua, mostrar meu trabalho e a possibilidade de viajar para os festivais de Berlim e do Rio, onde recebi o Prêmio Redentor.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

Apoio