Entrevistas

Pensar a pós-produção já no projeto, tema de palestra no FAM

João Paulo Reis Santos - Foto: Daniel Guilhamet
João Paulo Reis Santos - Foto: Daniel Guilhamet

João Paulo Reis Santos, professor na escola de cinema Darcy Ribeiro e diretor de pós-produção na Link Digital, parceira do FAM e de vários festivais, veio mais uma vez ao FAM pra falar sobre workflow da finalização em uma oficina gratuita.

Pergunta - Por que é necessário saber sobre fluxo de trabalho na pós-produção?
João Paulo - Por que muita gente encara a pós-produção como sendo uma etapa lá no final do processo, mas isso tem que ser visto desde o início, pois há vários caminhos, e seja produtor, diretor, fotógrafo, o importante é ter pensamento crítico, questionar. Quando você recebe um orçamento pra saber se ele tá legal tem que saber de pós-produção. Se não sabe não tem ferramentas pra poder decidir.
 
Tentar consertar as coisas no final é o grande problema da pós-produção, porque muitas das decisões que são tomadas no início, se não tem alguém da pós-produção pra conversar, quando chegar o momento de fazer aquela etapa talvez não consiga fazer com a melhor qualidade, ou vai se gastar mais ou não vai conseguir fazer. Às vezes é uma coisa boba, tipo isso podia ficar mais bonito, mas pode ser uma questão mais seriam, como gravar num determinado frame rate e querer exibir num outro frame rate. Pra fazer a adaptação vai criar um batimento na imagem, já vi isso acontecer em filmes que já gastaram um bom dinheiro, é um resultado ruim por causa de uma decisão errada. Não tem possibilidade de fazer uma versão pra cinema de algo que você gravou pra TV sem ter algum problema.

Pergunta - E você vê essa preocupação nos novos realizadores?
João - Você percebe que a equipe já sabe e às vezes só falta um detalhe, e aí o processo vai bem. Certos assuntos ninguém aborda, você sabe mexer no software mas essas questões mais conceituais de workflow não se vê tanto. Por isso a importância do conhecimento que vem muito da experiência do dia a dia numa casa de pós. Durante o ano você faz muitos trabalhos, vários filmes, curtas, séries de TV diferentes, conversa com diferentes fotógrafos, diretores, técnicos muito experientes e seu conhecimento acaba sendo diversificado, e então é bom passar essa visão da casa de pós pra um produtor, essa troca é muito boa.

Hoje a gente vive uma questão interessante, o barateamento dos equipamentos democratizou o acesso das pessoas a fazer cinema, hoje qualquer pessoa é capaz de fazer um filme. Quinze anos atrás você não tinha nem a chance de tentar, era em película, o preço era proibitivo. É claro que muitas pessoas que estão fazendo não têm o conhecimento suficiente pra fazer algo de qualidade até o fim, mas estão procurando saber. Às vezes não tem uma câmera boa, mas se o conteúdo e os profissionais são bons, a gente consegue reverter. Vemos como é importante um fotógrafo que sabe de correção de cor, um diretor que sabe de montagem, a gente conversa e sempre aprende. Estamos nessa era em que os profissionais são mais importantes que a tecnologia.
 
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