Entrevistas

Plataforma de vídeo sob demanda com foco no cinema nacional será lançada em agosto

Foto: Marino Mondek
Foto: Marino Mondek

Uma nova janela de exibição para o cinema brasileiro. Essa é a proposta do SPCine Play, plataforma de vídeo sob demanda que está sendo desenvolvida pela SPCine, O2 Play e Hacklab. Este foi um dos assuntos o painel “Plataformas latino-americanas de vídeo sob demanda” no Fórum Audiovisual Mercosul durante o 21º FAM.

Nesta entrevista, Gabriel Portela, coordenador do projeto pela SPCine, explica o porquê de desenvolver uma plataforma focada na produção nacional e anuncia que o lançamento está próximo. A SPCine é uma empresa pública de fomento ao audiovisual da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Por que desenvolver uma plataforma de vídeo sob demanda brasileira?
O cinema brasileiro atinge cada vez mais uma relevância artística e cultural reconhecida nacional e internacionalmente. Estamos fazendo muitas coisas boas, mas temos uma dificuldade de público no cinema, ou seja, mais de 65% dos filmes fazem entre 10 e 10 mil espectadores. Investimos em produção, mas não conseguimos levar necessariamente esse conteúdo para o público. As plataformas VOD (vídeo on demand) vêm para ajudar na distribuição e criação de audiência para o conteúdo nacional. "Ah, mas já tem um monte de plataforma operando no Brasil!". Tem. Mas a maioria é estrangeira e não têm necessariamente um compromisso com o conteúdo nacional e, quando elas o adquirem, jogam lá em baixo da prateleira, escondido, empoeirado. Aquele conteúdo não é atraente para você, nem é fácil chegar nele. Ter uma plataforma nossa focada em filme nacional dá autonomia para jogarmos luz para essa produção de qualidade, que não é bem tratada no Brasil do ponto de vista de destaque e exposição. Então, vamos conseguir tratar a produção e o produtor bem, no sentido de dar informação para ele. Quem assistiu ao filme? Qual o perfil do público que assistiu ao teu filme? Em que momento as pessoas pararam para ver o filme? São informações de ouro para o realizador. Esse tipo de coisa é o que diferencia e justifica termos uma plataforma.

A partir disso vocês pensaram o SPCine Play?
Exatamente. Pensamos em algo que não fosse exclusivamente público, por isso estamos trazendo parceiros privados para a plataforma que é a O2 Play, o braço de distribuição da O2. Eles já tem uma certa experiência nesse mercado de vídeos por demanda e vão ser o nosso braço de produção no dia-a-dia da plataforma. E também uma empresa de tecnologia para o desenvolvimento da SPCine Play.

Como vai funcionar para o funcionário comum?
Vamos lançar em agosto um protótipo com 10 ou 12 filmes para as pessoas testarem e sentirmos como vai ser. O usuário tem algumas formas de acessar esse conteúdo. Pode ser pelo transacional, quando você paga um valor X para assistir a um filme. Vai existir uma espécie de comanda para ele assistir a esse filme quantas vezes quiser. Se conseguirmos patrocínios, podemos patrocinar um número X ou um período de visualizações. Por exemplo, vou patrocinar um mês a plataforma. Durante esse tempo, podemos ver proporcionalmente quais foram os filmes com maiores audiências e distribuímos esse recurso para o produtor, ou seja, fica gratuito para o usuário, mas o produtor é remunerado. Pretendemos também estabelecer uma rede de parceiros, instituições públicas e escolas para exibir gratuitamente esse conteúdo.

Acreditas que através dessa plataforma a diversidade de olhares no cinema ficará mais democrática?
O exibidor é a ponta mais realista da cadeia. Um produtor, por exemplo, que consegue o dinheiro da ANCINE para realização do filme tem uma certa liberdade na criação, mas o exibidor tem uma conta clara: vendeu ingresso ou não. Se em uma semana o filme não vendeu ingressos, adeus. Vai entrar outro filme no lugar. É preciso viabilizar o negócio dele. Ter uma plataforma voltada para esse tipo de filme que naturalmente será esmagado pela grade dos exibidores gera uma diversidade bem maior para o filme nacional, sem dúvida.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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