Entrevistas

Bruno Bebianno fala sobre sua atuação frente às câmeras

Foto: Daniel Guilhamet
Foto: Daniel Guilhamet

O 21º Florianópolis Audiovisual Mercosul recebeu a presença do ator Bruno Bebianno, conhecido por atuações nas comédias brasileiras Minha mãe é uma peça I e II e De Pernas pro Ar. Traz no currículo também os papéis em Santo Forte e 171 - Casos de Família, que está no ar no canal Universal.

Nesta edição do FAM, o ator apresentou o curta-metragem Alegria do diretor Hsu Chien Hsin na Mostra Infanto-Juvenil. Nesta conversa, Bruno Bebianno nos conta um pouco sobre o seu personagem em Alegria e sobre a atuação no cinema.

Qual a singularidade da atuação no cinema? O que você percebe de diferença para o teatro?
São linguagens muito distintas. O cinema é mais realista, pelo menos a maioria. A interpretação é bem diferente. Claro que tens que ser realista em qualquer lugar, tens que passar a verdade, mas no teatro tens que falar para a pessoa da última fileira. É mais expansivo. Já no cinema, é como essa nossa conversa, mais minimalista. Na frente da câmara é quase uma igreja, tem que ser muito calmo, ter muito silêncio, ter concentração. Também passa a verdade, mas é menor, mais minimalista e realista.

O que você diria para atores que estão começando na área do cinema?
Calma! Não fica nervoso. O ator que está estudando está cheio de técnicas, mas, às vezes, é necessário ter calma, relaxar, ser verdadeiro. Estudar é importante, claro. Estudar no sentido de entender quem é aquele personagem, o porquê das reações. É só relaxar e ir. O resto acontece.

Falando em personagem, conta um pouco para nós sobre o teu papel em Alegria?
O filme conta a história de uma família bem pobre de uma cidadezinha do interior que escreve para um programa estilo o da Ana Maria Braga e recebe um convite para passar um fim de semana com festas em uma supercasa no Rio de Janeiro. Eles juntam todas as economias para ir. A alimentação é por conta deles. Na verdade, o concurso não é tão bom assim, tem uns truques. Eu faço o personagem que vai na casa e anuncia que eles são os famosos vencedores do prêmio. Na festa, eu volto e pergunto se eles estão gostando, mas eles só se dão mal. Esse personagem é muito engraçado, é divertido.

Você aprende um pouco com cada personagem?
Sim, sempre. Gosto muito de estudar tudo que vou fazer. Por exemplo, em Santo Forte, eu era um pastor evangélico e fui para um monte de igreja. Fiquei quietinho lá no canto para ver como os pastores andavam e gesticulavam. Você tem que estudar muito e acaba aprendendo sobre os personagens e suas vidas. Isso é bastante interessante para a nossa própria vida. Quanto mais você faz, mais você aprende sobre o funcionamento do cinema, como se portar no set, como trabalhar com a câmara, sobre a luz.

Como está o mercado no eixo Rio-São Paulo?
O cinema é uma arte muito bonita, mas cada dia está mais difícil arrecadar dinheiro para fazê-lo. Eu tive a sorte de atuar em filmes que recebem muito investimento, em superproduções brasileiras, mas fora isso é muito complicado. Lembro que o Hsu tirou o primeiro filme do próprio bolso, mas essas produções têm diminuído.

Como realizadores e produtores culturais podemos fazer algo para melhorar essa situação?
Tem muitos amantes e realizadores de cinema no Brasil, mas tem que melhorar a política. É preciso melhorar lá dentro para receber mais verba. Além de mais investimento, também é essencial ter mais transparência para saber para onde está indo o dinheiro investido nos projetos. Melhorando isso vão aparecer muitas oportunidades para pessoas com projetos extraordinários para o cinema.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

 

Apoio