Entrevistas

Mãos unidas pela América Latina

O diretor Roly Santos Foto: Daniel Guilhamet
O diretor Roly Santos Foto: Daniel Guilhamet
O documentário Manos Unidas, de Roly Santos, investiga o papel das mãos na evolução humana e o simbolismo em torno das mãos de Ernesto Che Guevara e Juan Perón, que foram cortadas, e de Victor Jara, que foram mutiladas. O filme está em competição no DOC-FAM e recebeu os prêmios de Melhor Realizador e Montagem do IFF Figueira Film Art Portugal e Menção Honrosa no Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano La Habana – Cuba 2015.
 
Pergunta - O filme é em torno da simbologia das mãos de pessoas muito significativas da América Latina, como começou essa ideia?
Roly Santos - A primeira ideia do filme é a importância das mãos, elas são tão importantes para as pessoas como o cérebro, podem cometer violência, podem curar ou matar. Sempre estive envolvido na situação política latino-americana, sempre quis saber o que aconteceu com as mãos de Che Guevara, que teve as mãos cortadas, havia alguns enigmas em torno dessa história, não se sabia muito bem o que havia acontecido com elas. Ao mesmo tempo, Perón, um líder argentino popular, também teve as mãos cortadas e por que fizeram isso especificamente com as mãos, e não outras partes do corpo? Sabia também que destruíram as mãos do cantor chileno de música popular, Victor Jara, ele era guitarrista, diretor de teatro, então quando foi preso pela ditadura destruíram suas mãos. 

Pergunta - Por que quis abordar a história dessa forma?
Roly - Também sou sociólogo e quando era estudante ficava chocado com essa simbologia das mãos no catolicismo e no marxismo, no Gênesis as mãos são importantes para a criação da vida e para o marxismo são importantes para o crescimento do raciocínio. Diferente do símio, no homem, quando o polegar se junta em oposição, isso provoca um crescimento da massa cerebral, começa a evolução humana. Friederich Engels dedicou um estudo a isso, o Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem. O filme é resultado de uma pesquisa de cinco anos, e também fiz uma série para TV, em coprodução com Argentina, Chile e Bolívia e um livro.  

Pergunta - E você contribuiu para esclarecer essas histórias ou o mistério continua?
Roly - Na verdade, pra isso tem que ver o flme!
 
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