Entrevistas

Um curta sobre as ditaduras de todos e nenhum lugar

Facundo Forti - Foto: Marino Mondek
Facundo Forti - Foto: Marino Mondek

Estudante de Cinema e Vídeo na Universidade de Buenos Aires, o jovem argentino Facundo Forti veio apresentar o seu filme, A un día de ayer, nesta sexta-feira na Mostra Curtas Mercosul do FAM 2017. Escrito e dirigido por Facundo, o curta-metragem fala do encontro de um jovem trabalhador ferroviário e de um ancião que perdeu seu filho na guerra civil após a derrubada, por um golpe cívico-militar, do governo do presidente socialista Emilio Garcia em um país da América Latina no final dos anos 1930.

Pergunta – O filme trata da questão das ditaduras latino-americanas e sobre como isso afeta a vida de pessoas comuns. Por quê você escolheu este tema?
Facundo Forti –
Hoje, na Argentina, e creio que em grande parte da América Latina há uma divisão enorme, politicamente falando, e daí surgiu a necessidade de se discutir esse tema. È sabido que, desde que os países se tornaram independentes, essas lutas ideológicas vem ocorrendo com frequência, e isso não é característico de apenas um país, nem só da Argentina e do Brasil.

Pergunta – Por isso você decidiu não situar o filme em um país específico?
Forti –
O curta não se passa em um país concreto, nem em um tempo determinado. Tratamos de generalizar um pouco a situação, para que cada espectador, seja onde o veja, possa dotá-la de sentido e vinculá-la à sua história ou ao que está sentindo.

Pergunta – Como foi a produção do curta. Você participou de algum tipo de concurso para financiamento do filme?
Forti –
Tudo foi feito em sistema de autogestão. Fiz o filme junto com colegas do curso de Cinema e Vídeo da Universidade de Buenos Aires, alguns que eu já conhecia e outros que se somaram ao projeto, que foi financiado por nós mesmos. Filmamos na estação de trem do povoado de Villars, e os interiores em Buenos Aires.

Pergunta – Como você recebeu o convite para vir a Florianópolis apresentar o seu filme no FAM, e como está sendo para você a experiência de exibi-lo para o público brasileiro?
Forti –
É a primeira vez que participo do festival, e foi uma grande alegria ver o nosso filme selecionado para a mostra. Filmamos no segundo semestre de 2016 e conseguimos concluir o curta a poucos dias do término do prazo de inscrição. É muito interessante perceber que o filme será exibido no âmbito de uma universidade pública (o Centro de Cultura e Eventos da UFSC, onde acontece o FAM 2017), e ver que o tema está bem inserido dentro do contexto político que estamos vivendo, nós estudantes, tanto na Argentina quanto no Brasil.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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