Entrevistas

Maurice Capovilla recebe homenagem do FAM por sua trajetória no cinema

Maurice Capovilla - Foto: Marino Mondek
Maurice Capovilla - Foto: Marino Mondek

 Ator, produtor, roteirista e diretor, o paulista Maurice Capovilla foi homenageado na noite desta quarta-feira, na programação do 21º Florianópolis Audiovisual Mercosul, pelo conjunto de sua obra. Diretor de clássicos do cinema brasileiro como O Profeta da Fome (1970), Noites de Iemanjá (1971) e Vozes do Medo (1972), Capovilla agradeceu a homenagem dizendo sentir muito orgulho de receber o reconhecimento do FAM, segundo ele “um festival voltado para a juventude”.

Na entrevista abaixo, Capovilla fala da homenagem, da situação atual do cinema brasileiro e de seu último longa-metragem, Harmada (2003):

Pergunta – Entre tantas homenagens que já recebeu por sua trajetória no cinema, o que significa para você essa feita hoje pelo FAM?
Maurice Capovilla –
Essa homenagem foi algo inesperado. Eu nunca tinha vindo aqui ao FAM e a Florianópolis, e o que eu achei até agora do festival é que estamos vivendo o epicentro de uma formação nova do cinema brasileiro e latino-americano. Eu sempre trabalhei, durante anos, junto ao MEC, para colocar nas escolas, uma forma de utilizar o cinema e o texto cinematográfico para os alunos do ensino médio. Mas nunca consegui. E aqui está se conseguindo isso, então aqui é um ponto de referência para o cinema da nova geração, que capta desde as crianças que vêm aqui assistir aos filmes, até os jovens que já estão cursando cinema aqui em Florianópolis.

Pergunta – Por falar nisso, hoje o neto do Gianfrancesco Guarnieri, que filmou um dos episódios de Vozes do Medo (1972), que você também participou, apresentou um documentário sobre o avô. O futuro do cinema, obviamente, está nessa nova geração, mas quão é importante resgatar a trajetória dessas figuras que marcaram a cultura brasileira?
Capovilla –
A cultura brasileira está sedimentada entre os anos 1950 e 1980. E quase toos os que participaram dessa grande fase da produção cultural nacional já morreram. Os grandes mestres do cinema brasileiro são desse período. Restam poucos vivos. O que eu sinto é que o cinema brasileiro está decadente, sem experiência técnica e artística. Está se produzindo muito, mas não se encontra qualidade. Tivemos recentemente apenas um cineasta, Kleber Mendonça Filho, com O Som ao Redor e Aquarius, que conseguiu ter uma grande repercussão fora do Brasil. Entre os anos 1950 e 1980, tínhamos filmes em todos os festivais internacionais, com prêmios. Há mais de 10 anos um filme brasileiro não ganha um prêmio desse nível. E isso significa que o cinema brasileiro não está conseguindo ter uma presença lá fora.

Pergunta – O último filme que você dirigiu, Harmada, foi baseado num livro do escritor gaúcho João Gilberto Noll, que infelizmente também faleceu em março deste ano. Como foi adaptar a obra desse escritor único, com uma voz tão particular, mesmo que outros livros do Noll já tenham sido filmados?
Capovilla –
Foi difícil. O texto é fantástico. Mas eu tinha uma grande ligação com o João e, conversando com ele, eu acrescentei algumas coisas que não haviam na obra. Dentro do livro, o personagem principal não tem uma grande atuação. Os personagens dele são assim todos estão em compasso de espera ou não existem. Então eu dei uma voz teatral a esse personagem central, porque ele é um ator de teatro.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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