Entrevistas

Todo o som ao redor do filme

Gustavo Oliveira de Souza - Foto: Daniel Guilhamet
Gustavo Oliveira de Souza - Foto: Daniel Guilhamet

Técnico, editor de som e um dos mais requisitados microfonistas do cinema catarinense e com atuação em diversas produções nacionais, Gustavo Oliveira de Souza, da Sonozoio, fez nesta quinta pela manhã uma palestra sobre “o Som no Cinema” aos participantes do Rally Universitário do 21º Florianópolis Audiovisual Mercosul.

Na entrevista abaixo, Gustavo destaca os principais pontos da conversa com os estudantes de cinema, comunicação e produção de audiovisual de quatro países da América do Sul:

Pergunta – O que tu procuraste ressaltar sobre a questão do som no cinema nessa palestra para o pessoal do Rally Universitário?
Gustavo Oliveira de Souza –
Tentei fazer com que eles pensem o som não apenas como a gravação do diálogo. A coisa mais importante para o som do cinema é a gravação do diálogo, a voz, o que está em primeiro plano. Mas não é só isso. O som do cinema pode ser várias coisas. Dei alguns exemplos de música, de ambientes sonoros nos quais a gente pode criar todo um universo de sons para contar uma história. O som entra como um auxiliar nessa contação de história. Sem esquecer do primordial, que é gravar a voz, o diálogo.

Pergunta – Nas décadas de 1960, 1970, o som sempre foi um problema no cinema brasileiro. Hoje, com novas tecnologias, essa situação melhorou consideravelmente. Mas a pós-produção continua sendo importante com relação ao som do filme?
Gustavo –
O som é um problema porque o mundo não para. Os barulhos externos atrapalham a captação dos diálogos. Mas esse problema não era exclusivo do cinema brasileiro, em Hollywood também. Até nos filmes atuais. O problema é que, com relação a essas produções internacionais, a gente não vê o filme, a gente lê o filme. Vê com a legenda e não percebe que às vezes uma fala está fora de sincronia. Em os Vingadores, por exemplo, há várias cenas com a voz dos atores fora de sincronia, os caras estão mexendo a boca e não tem fala saindo. A pós-produção existe porque muitas vezes não conseguimos gravar o som da melhor maneira possível. O som da explosão e a voz do cara que grita, nesses filmes de ação, são usados como guia. Depois, tudo é refeito na pós-produção. Por exemplo, se tenho uma cena de floresta, onde há um diálogo e tem um riacho por perto, atrapalhando a captação, a gente elimina o som do riacho e depois gravamos de novo o som da água e a inserimos de forma adequada à cena na pós-produção. Existe todo “um som ao redor”, como bem falou o nosso amigo lá de Pernambuco (Kléber Mendonça Filho). Aliás, o filme dele fala muito sobre isso. Não vivemos no silêncio. Não existe cinema sem som, nem que seja uma música, e não existe dramaturgia sem som e sem pós-produção de som.

Pergunta – Tu falaste que a empatia entre o técnico de som e o cinegrafista é importante para o resultado final da produção. Como é lidar com diferentes pessoas e diferentes desejos e vontades dentro de um set de filmagem?
Gustavo –
Cinema é uma arte colaborativa. Ninguém vai trabalhar em um escritório para fazer amigos, não é esse o objetivo. Mas se não houver boa vontade e empatia, todo mundo fica frustrado. A primeira coisa que se precisa fazer quando se lê o roteiro, é entender o que está sendo colocado ali. A partir do momento em que você entra num ambiente de filmagem, quando você passa semanas junto com um grupo de pessoas, você dorme no mesmo lugar, toma café da manhã, almoça e janta com as mesmas pessoas, aquilo ali vira uma família. Então é preciso relevar as diferenças entre as pessoas e fazer o seu trabalho da melhor maneira possível.

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