Entrevistas

“Se não fazemos cinema para sonhar, não precisamos fazê-lo”, defende Juan Iván Molina Velásquez

Foto: Marino Mondek
Foto: Marino Mondek

Cada edição do Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM é uma nova oportunidade para aprender e pensar o cinema. Além dos diversos filmes exibidos na tela do Festival, há também a possibilidade de participar do Fórum Audiovisual Mercosul, um dos principais espaços na América Latina para discutir questões relacionadas à sétima arte na região, assim como palestras e oficinas.

O sociólogo boliviano Juan Iván Molina Velásquez, formado em realização audiovisual pela EICTV (Cuba), é um dos palestrantes do 21º FAM e a sua forma de ver o cinema encanta quem tem a chance de escutá-lo. Nesta entrevista, o atual docente e diretor da Escola de Cinema e Artes Audiovisuais da Bolívia fala sobre o eterno sonhar que é a produção audiovisual.

O que é preciso para começar um filme?
Decidir que sonho de sociedade queres, o que queres da vida, o que queres para ti ou para o resto da população. Depois de decidir isso, amar o que você quer fazer. Sem amar, não tem porque fazer cinema. No amor está o compromisso militante com o cinema que não é somente contar uma história. É o que um ser humano sente por outro o que é o mais importante.

A partir dessa visão, o que seria o cinema para você?
Penso que o cinema são tempos para sonhar, tempos para se comprometer, tempos para amar, tempos para denunciar, tempos para construir e tempos para viver.

Quando falas tenho a impressão de que o cinema é um sonho. Como trazer esse sonho para a realidade ou para a realização do filme?
O dia em que o ser humano deixar de sonhar, ele já não terá motivos para viver. Isso é o cinema. Se não fazemos cinema para sonhar, não precisamos fazê-lo. É como quando estás apaixonado pela vida, mas não conheces o parceiro(a) ideal e segues sonhando sempre. É como uma canção de Pablo Milanés que fala “la vida la prefiero compartida, no es lo que soñé, pero es lo que se acerca más de lo que me imaginé”. Isso é o cinema e temos que sonhar sempre. Na imperfeição está a perfeição.

Conhecer ao público é importante para fazer cinema?
Sim. Não fazemos o cinema para nós mesmos, nem para críticos de cinema e nem para festivais. O cinema é feito para apaixonar o público, contar que a vida é bela e que vale a pena viver. O público sempre esperar sonhar em uma sala de cinema. Quando as pessoas dizem que vão assistir a um filme comercial está tudo bem, porque também é sonhar. Mas e os outros sonhos onde estão? Eles também são importantes. Penso que o cinema tem essa dimensão de construir no nosso imaginário uma sociedade diferente e, enquanto possamos ter várias orientações para buscar esta vida, está tudo bem. Mas não só com um olhar. Se olharmos um jornal, vamos ver vários filmes de Hollywood ou de cinema comercial. E pensamos: e o outro olhar onde está? É como se somente uma pessoa tivesse telescópio e todos tivéssemos que olhar por ele. Mas estamos em um mundo com múltiplos olhares e temos que encontrá-los. Todos os olhares são válidos.

O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.

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